"Não quero" é expressão que se repete vezes sem conta, às vezes (poucas) traz um obrigada.
Passar pela experiência de pedir a outros, todos estranhos que ajudem desconhecidos na entrada de um supermercado é indiscritível!
Podia contar usando as maiores palavras do mundo quão gratificante é receber qualquer donativo. A mim causa-me borboletas no estomago, tenho momentos em que até me apetece retribuir com um abraço, ou dois, ou três. Sentir a generosidade alheia é de perder o folego.
Mas hoje, depois de mais uma experiência destas apetece-me dizer que as pessoas estão fora de prazo!
A indiferença, a ignorância, a agressividade, a soberba e o egoísmo tomam conta da humanidade (aquela que é formada por pessoas humanas como agora tanto se gosta de dizer). Ao serem convidadas a participar a maioria das pessoas diz que não quer, finge estar ao telefone porque não tem coragem de dizer que não quer, diz que não ajudará outros porque ninguém a ajuda a ela própria, que vai só passear não fazer compras, que não leva dinheiro consigo (recordo que todas estas pessoas entram num supermercado!) há até quem diga que vive no estrangeiro como se estivéssemos a falar de um serviço de entrega na sua própria casa. Há de tudo!
Como é se faz para que as pessoas percebam que para ajudar os outros basta a unidade. Uma coisa que somada a uma coisa e a outra e ainda mais a outra tem como resultado final um numero infinitamente grande. Como é que se faz para que as pessoas percebam que podem ajudar um outro que nunca viram, que não vai saber o seu nome praticamente sem darem por isso, basta a unidade. Tal como diz o proverbio chinês, um homem que move montanhas começa por carregar pequenas pedras.
Hoje, exausta mas de coração a transbordar afirmo convictamente que as pessoas estão fora de prazo! O que é uma pena...