domingo, 12 de outubro de 2014

Viagem 132: todos os lados de uma moeda

Estava a ser um bom fim de semana. Bom no sentido produtivo e ainda faltava um dia, pelo menos era o que eu pensava.

Manhã de TPC's para o primogénito, brincadeiras para a Miss e trabalho para mim. Almoço na avó. Umas voltas mais com passagem no escritório incluída levou-nos a casa com o jantar debaixo do braço. Aproveitei o tempo do futebol para trabalhar mais um pouco.

A dada altura, enquanto eu estava tão, mas tão contente por já ter conseguido fazer sem exagero 150 recibos, diz o rapaz:
- esses miúdos devem ser mesmo muito importantes para ti, não?
- o quê? (que grande estalo!) Não estou a perceber. Que miúdos?
- esses desses papeis

Da realização de já ter em dia AC, PL e praticamente A à culpa por ter conseguido já ter em dia AC, PL e praticamente A foi um tirinho. Bolas.

Ainda a refazer-me deste tombo aparece a Miss:
- Mãe, atende o teu telefone. Estou a ligar-te do meu telefone dos dramas
- Donde? Telefone dos dramas ?!? Tu tens um telefone dos dramas? O que é um telefone dos dramas?
- Então, é um telefone para urgências. E eu preciso de falar contigo
- Mas eu estou mesmo aqui
- Pois mas tens esses papeis...

Ui! Miudos 2 - Mãe 0

[apesar de tudo: AC, PL e A ficaram prontos e SC adiantado!]

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Viagem 131: É possivel um novo inicio? - Dia 1



"É possivel um novo inicio?", esta é a proposta da nova Escola para cumprir este ano letivo.

Confiantes qb, expectantes e disponiveis para agarrar o futuro, hoje é o Dia 1 de uma nova etapa.

[e eles estavam tão janotas, tão comportados, tão disponiveis para aceitar o que escolhemos para eles ...]

Estes miudos são mesmo uma preciosidade!

sábado, 6 de setembro de 2014

Viagem 130: Coisas de Miss - Teorias sobre... coisas

Esta miuda pensa sobre tudo, não sei como é que consegue.

Teoria1:
As pessoas guardam o cócó no rabo.

Teoria2:
Ela ainda não é uma pessoa, é só uma filhota porque anda na escola e as pessoas já não andam na escola.

Eu acho simplesmente delicioso e por isso não poderia deixar de lhe dar boleia...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Viagem 129: O chão voltou a fugir


Ontem, o chão voltou a fugir dos pés de uma familia. Nunca é certo. Nunca é justo.

Não conheço a Leonor. Não conheço a sua familia. Mas consigo reconhecer a garra, a força e a determinação.

Não imagino o que os pais da Leonor estão a viver. Não encontro uma só palavra...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Viagem 128: É hoje que anda à roda...

Se não estiver enganada é hoje que saem as notas dos exames de 4ºAno.

Para mim é como saírem os números da lotaria. Isto porque com o Francisco é tudo sempre um bocado aleatório. Que ele sabe, sabe, não há dúvida. Que ele estava disponível para mostrar, isso já é outra conversa...

Sou das poucas pessoas que conheço que é favorável aos exames (e era tão fácil ser o oposto olhando para o que tenho em casa). Eu acho que é necessário aferir globalmente o que todos sabem em cada ciclo de ensino e, pelo menos, tentar garantir que todos vão com os conhecimentos básicos para o ciclo seguinte.  Por outro lado, a forma como tenho visto e ouvido professores preparem os seus alunos, leva-me a confirmar a minha posição. Exames são precisos.

Como tinha cautela para esta lotaria, vi os exames do ano passado, apreciei livros de preparação com potenciais exames, comparei com os manuais de 4º Ano e conclui que estão em registos diferentes, muito diferentes. Os manuais, atrever-me-ia a dizer, são para tontos! O nível de dificuldade é mínimo e convida a não pensar, porque isso dá cá um trabalho!

Em suma: a escola alfabetiza tendo como padrão os mínimos e os exames questionam sobre literacia (que está longe de ser mínimo). Claro que enquanto assim for, estamos mal.


Os professores fazem parte de uma classe que entende que não carece de ser avaliada, que não tem que se sujeitar a exame de admissão para a carreira e cujo trabalho não precisa de ser medido. Como se 100% dos professores fizesse 100% de bom trabalho, 100% das vezes. Acho que não existe. Falo de barriga cheia: o rapaz teve boas professoras e quando não estava a resultar não exitamos e mudámos. Muitos pensaram que seria uma má jogada tendo em conta o ano em questão, poucos disseram. Aqui chegados e antes de sabermos resultados, afirmo: valeu mesmo a pena.

Aguardo com expectativa pelo fim da tarde para saber onde nos situamos entre o primeiro prémio e a terminação.

sábado, 31 de maio de 2014

Viagem 127: Jantar de Pais: pensei, pensei, pensei....

A Escola do Francisco tem um momento por trimestre chamado de Jantar de Pais. Tentámos inscrição em março mas, não fomos bem sucedidos. Tivemos pena e no final das contas até nos deu jeito porque calhou na véspera do aniversário do primogénito. Hoje, conseguimos lugar!

O jantar acontece na escola, no refeitório. Tem uma vista fabulosa e toda uma envolvência rústica. O tema como não podia deixar de ser foi o Mundial de futebol.

Estava tudo pensado ao pormenor da endumentária da Equipa da Escola à decoração não faltou nada: os centros de mesa eram relvados de futebol (as balizas eram deliciosas); as ementas eram camisolas das seleções na fase final (até a marca das camisolas foi incluida - nike | adidas | puma); os individuais dos miudos eram a bola "brasuca"; as argolas dos guardanapos tinham o simbolo do mundial, os guardanapos tinham as cores da seleção; no final houve direito a guloseimas numa caixa de lembranças original.


Á medida que ia vendo tudo, tinha o cerebro a fervilhar (sim, não fervilho só em congressos e afins!): a missão 1/2 milhão precisa disto!

Quando vi o prato dos miudos, tive a certeza: a M1/2M vai ter isto. Durante o resto do tempo ocupei-me a pensar: como? Como é que vou concretizar isto? Absorvi tudo o que pude, sempre a borbulhar de entusiasmo. Trouxe tudo o que pude... 

Já de volta a casa, pensei: tenho até dia 20 para organizar a proposta. Mafalda, Marina e Marisa, já sabem: vou sonhar com isto. Conto convosco para a parte da concretização. Vamos a isto?


domingo, 25 de maio de 2014

Viagem 126: Antes... Depois

Esta boleia é de ontem mas, há hora de ontem já era hoje e eu estava tão cansada e com as palavras todas aos saltos, nem conseguia fazer sentido. Escolhi deixar para depois de acordar. Dormi. Acordei. Continuo com as palavras aos saltos. Ou se calhar, sem elas...


É isso! Tudo quanto possa escrever não conta o que vai cá dentro.

Obrigada.


[Já mesmo em fim de festa, que é como quem diz, no carro prestes a sair da festa, a Miss diz: mãe dançaste muito bem e o pai vai dizer que estás muito bonita!, claro que isto só aconteceria na cabecita dela...]







segunda-feira, 19 de maio de 2014

Viagem 125: Francisquices - Imperdível

«É uma casa tão linda
Que ternura quando a vejo!
Lembra-me o senhor Joaquim
Meu amigo do Alentejo

Carpinteiro tão velhinho
A trabalhar a madeira:
Eu olhava-o encantada
Sentadinha à sua beira.

Conheci-o quando fui
Para o Alentejo ensinar.
Professora de meninos
Meninos do meu amar.

Um dia o visitei,
Confessei-lhe, quase a medo:
Eu tenho um cão pequenino,
Um cãozinho de brinquedo.

Senhor Joaquim, tenho um cão
Que me deram os meus amigos,
Quando parti de Lisboa
Para sempre o ter comigo.

É cãozinho de brinquedo,
Um tesouro de amizade:
É um cão que não tem vida
Mas diz-me tanta verdade!

O senhor Joaquim olhou-me
Com seus olhos cheios de vida:
- Vou fazer-lhe uma casinha,
Uma perfeição florida...

E uma perfeição florida
Foi feita por suas mãos,
Mãos ásperas de pobreza
Tão doces de perfeição.

Eis a história da casinha
Feita pelo senhor Joaquim:
Tenho amigos e saudade,
Não tenham pena de mim!»
Matilde Rosa Araújo
Pergunta de interpretação feita:
Na tua opinião, por que motivo foi «quase a medo» (verso 14) que a autora confessou ao senhor Joaquim que tinha um cãozinho?

Resposta do Francisco:
Eu acho que ela tinha medo que o cão o mordesse.

Realmente... o que mais haveria de ser!

Viagem 124: Venham eles!

Chegados que estamos à semana mais guardada pelo 4ºAno, afirmamos convictos: venham eles!

Começamos pelo português. Faremos o possível na esperança de que a interpretação não seja muito subtil e que a composição seja uma narrativa o mais colada à realidade possível, o tempo não está para grandes imaginações!

A nossa arma secreta está reservada para 4ªfeira: matemática, aí vamos arrasar!

Certo é que ele se vai superar. O raça do rapaz na hora H, quando é mesmo mas mesmo preciso, mostra a sua fibra. É sempre assim.

Já eu estarei cheia de borboletas por dentro.

sábado, 17 de maio de 2014

Viagem 123: Finalmente... VITÓRIA!!!

Volta e meia há jogo ao fim de semana. É o preço a pagar por ser de uma escola de futebol.
Os jogos começaram há meses e desde então o melhor que conseguíamos eram empates (acho mesmo que só empatamos uma vez!). Foram derrotas umas depois das outras.
Hoje foi diferente... Hoje jogámos fora. Hoje ganhámos!! 1-3. Foi delicioso!
E pensar eu que achava que hoje seria mais prudente não ir para aproveitar a tarde também para estudar, afinal há exames durante a semana.
A alegria dos miúdos foi indiscritível. Um deles dizia mesmo que deviam ir ao Marquês celebrar!!!
Claro que na espuma de tudo isto, encontro uma ou outra Francisquice:
- na preparação da marcação de um canto diz o Francisco para o adversário que o estava a marcar: Ó Meu podias deixar-me sem marcação, tá bem?
- já no caminho para o carro: tinhas razão mãe! Bem dizias que não haveria vitórias sem mim!!
Não fomos ao Marquês mas, celebramos a vitória abrindo oficialmente a época do caracol.

domingo, 11 de maio de 2014

Viagem 122: um flop de fim de semana ou nem tanto

Tinha grandes expectativas para este fim de semana. Ou então eram só confabulações!
Já devia saber que para mim não estão reservadas grandes coisas. E assim correu o serão de sexta.
Sábado começou torto, tortíssimo. Tão torto que até os miúdos tiveram direito a escolher uma coisa cada para eles na casa dos brinquedos (é o nome que dão à toy'rus). De tarde o filme "Uma história de Encantar" (acho que é assim que se chama) relembrou-me que acredito em contos de fadas (ou não fosse o principe, o Dr McDreamy da Anatomia de Grey).
Domingo acordou soalheiro. Tinha um compromisso de trabalho durante a tarde. Por aquele trabalho não estamos habituados a que nos deem nada, por isso quando alguém está disposto a "dançar para nos ajudar" eu fico sem palavras, tal é a surpresa.
O espetáculo foi muito bom. As miúdas dançam com alma, com paixão e acima de tudo divertidas. Duas bolas de gelado ao fim da tarde em Cascais, foi a cereja no topo do bolo.
Um fim de semana que contra todas as minhas expectativas estava prestes a ser um flop, foi salvo no meio de tutus e sapatilhas com e sem pontas (por momentos tive tantas, mas tantas saudades das minhas sapatilhas...)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Viagem 121: Comemorações de mãe - entre a expectativa e o pânico

As escolas dos miúdos prologam as comemorações de mães para dentro da segunda feira.

Com o Francisco era a expectativa total: escola nova, não conhecia os hábitos, enfim, íamos à descoberta. E lá fomos, pouco antes das 9 para um pequeno almoço tão aconchegante que nem sei: pão quentinho, quentinho acabadinho de fazer, sumo de laranja e um café. Os miúdos lambuzaram-se nas coisas com chocolate, apreciamos como ficam os corações de mãe e fomos brindadas com túlipas (a minha flor!). Tudo se conjugava para superar as expectativas.

O postal desconcerta-me: estou altamente favorecida com 2 totós (um de cada lado) na cabeça e a mensagem para abrir é: por favor perdoa-me | És perfeita (esforço-me sobrehumanamente para manter a compostura...) dentro diz:
«Querida mãe,
Com o teu nome vou dizer-te o que eu penso sobre ti.
Eu acho que és:
Justa
Ocupada
Amorosa
Namoradeira
Amiga

És forte
melhor do que ninguém
ninguém vai conseguir alterar
a tua maneira de ser minha mãe.
Beijinhos do teu filho Francisco»

Depois disto preciso mesmo de sair dali, estou quase, quase a desmontar-me como as gelatinas que não solidificam. Despedimo-nos.
No carro,  o rádio toca a minha banda - BONJOVI com a música Thank You For loving Me. Pronto. Não me contive mais. Lavei a alma. Recompus-me.



Á tarde é a vez dela brilhar. Estremeço. E se as "nossas" pulseiras não se vendem... Logo ali tomo a decisão: compro-as eu. Não vou correr o risco.
Eram só dez da manhã e o meu coração já tinha andado nesta montanha russa entre a expectativa e o pânico.

domingo, 4 de maio de 2014

Viagem 120: Dia da Mãe... mais um

Celebro este dia na condição de mãe há 10 anos e na condição de mães há 4. Porque muitas vezes penso: eu não sou mãe, eu sou mães! Sou mãe só do Francisco (1 para a contagem); sou mãe só da Miss (2 para a contagem) e sou mãe dos dois ao mesmo tempo (3 para a contagem). E é tão engraçado! Não engraçado de fazer rir, antes engraçado pela descoberta que tem sido e acredito continuará a ser. Muitas vezes compensador, quando se vislumbra o produto final.
Hoje, o Francisco levantou-se, concluiu os trabalhos de casa por iniciativa própria, prontificou-se a estender a roupa por mim, marcou a apanha da roupa para ele, tratou do leite da irmã, fez o seu pequeno almoço, magoou-se ligeiramente no micro-ondas, a Miss acorreu a dar-lhe um beijinho no dedo lesionado ( a vozinha dela a dizer-lhe: "deixa-me dar-te um beijinho", dá cabo de mim) e eu assisti a tudo, feliz.
Na maior parte do tempo é o completo caos exterior (e interior também!): a casa é invadida por brinquedos; os moveis com partes (pequenas mas ainda assim, partes) meladas; a roupa nunca está em dia e multiplica-se por todo o lado; há sempre migalhas no tapete; há sempre loiça para lavar no lava loiças; a minha papelada de trabalho é muitas vezes personalizada com obras de arte verdadeiramente únicas; a porta da casa de banho da mãe fechada nunca quer dizer não entrar, enfim... mas é bom. Porque é legado, é parte de nós que continua.
Gostava de ter sido mais mães. Já me resignei...



quinta-feira, 1 de maio de 2014

Viagem 119: É que já não há paciência!

Saiu finalmente o tão falado DEO. Agora, politico que é governante ou aspirante a tal, fala preferencialmente por siglas. Até o cabelo da ministra estava em pé (e falo literalmente indomável). Compreende-se. É que já não há paciência!

Primeiro talvez seja preciso continuar a cortar; depois o melhor é taxar o açúcar, o sal e sei lá mais o quê; depois ainda não é nada disto; mais tarde, o que quer que se venha a fazer não implicará subir impostos; por último deita-se cá para fora umas coisas sobre começar a aliviar a carga fiscal, enfim. Não raras vezes, parecem-me miúdos a brincar aos governos.

Quando não há mais possibilidade de adiamento, anuncia-se uma fórmula nunca antes vista: aumentar impostos!

Como é que não há ninguém que diga as estas pessoazinhas que gente sem palavra não comanda nada, muito menos uma nação. Gente sem palavra nem ignorado merece ser.

Gentinha como esta, sem palavra merece desprezo!


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Viagem 118: Coisas de Miss - mesmo à mesa sempre a surpreender!

Na sexta, feriado, a conversa ao almoço corria assim:
Ele: Ora então, se hoje faz 40 anos o 25 de abril, há 10 fazia 30 anos e eu era tão pequeno. Ainda nem tinha 2 meses.
Eu: Pois. Mas, sabes em que dia é que estavas previsto nascer?
Ele: Não.
Eu: dia 24 de abril.
Ele: A sério! Na véspera do feriado! Porque é que eu nasci a 30 de março?
Eu: Porque estavas pronto e quiseste.
Ele: hum... e quem é que lá estava quando eu nasci?
Eu: Então, na sala mesmo onde nasceste só o pai. Depois cá fora estava a avó Graça à tua espera. E depois ao final da tarde, chegou toda a gente. Todos te queriam conhecer.
Ele: E quando a Maria Catarina nasceu, eu também lá estava?
Eu: Não. Estava lá só o pai.
Ele: Então mas eu sou o irmão, não podia estar?
Eu: Não. Só podem estar os pais.
Ele: Então onde é que eu estava?
Eu: Tu ficaste cá com a avó Noémia. Vieste da escola. Jantámos todos (eu, tu, o pai, a avó Graça, a avó Noémia e o tio Nuno) pizza, depois a avó Graça e o tio Nuno foram para casa, nós fomos para o hospital e tu ficaste com a avó Noémia.
Ela (a chorar): E eu, porque é que eu não fiquei com a avó Noémia. Eu também queria ter ficado! E eu não comi pizza?!? Porque é que eu não comi pizza? Porque é que eu não fiquei com a avó Noémia? Isto é muito injusto...

Não consegui conter as gargalhadas. Por momentos, saí de mim, olhei para aquele cenário e pensei: isto é tudo!

Para mim o resultado perfeito da soma 1+1 seria 5. Já perdi essa esperança. Também isso perdi. Aproveito como posso as coisas de Miss ou as Francisquices diárias. E como são valiosas estas coisas...



domingo, 30 de março de 2014

Viagem 117: Há 10 anos como se fosse há 10 minutos

Lembro-me deste dia 30 de 2004. Foi há 10 anos mas, é como se tivesse sido há 10 minutos.

Foi terça feira e estava sol. Foi há 10 anos mas, é como se tivesse sido há 10 minutos.

Na minha cabeça ecoa como se fosse agora a sentença da médica pelas 8.15h: esta criança até às 18h está cá fora. Hoje conhecemos o nosso rapaz! O nosso rapaz chegou às 16.27. Foi há 10 anos mas, é como se tivesse sido há 10 minutos.

Foram 10 anos de desafio constante.

Foram 10 anos de uma genuinidade desconcertante própria de quem não compreende como é que 1 semana tem 7 dias, diz-se daqui a 8 dias e 2 semanas são 15 dias. De um apuramento sem igual, só igualado por quem come cascas de banana no carro e adora verbos porque pode usar três cores diferentes para escrevê-los (uma para os tempos verbais, outra para os pronomes pessoais e uma terceira para escrever o verbo em si). Foi há 10 anos mas, é como se tivesse sido há 10 minutos.

Foram 10 anos cheios de espinhas prontas a serem ultrapssadas como o treino de não usar casaco para cumprir o requisito de ser forte para ter hipótese de entrar para a acrobática. Foi há 10 anos mas, é como se tivesse sido há 10 minutos.

Foram 10 anos de perguntas, de respostas, de desafios, de experiências, de descobertas, de conquistas, de batalhas... Foi há 10 anos mas, é como se tivesse sido há 10 minutos.

Foram 10 anos de Francisco.

Foi terça feira e estava sol. Hoje é domingo e estará certamente sol...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Viagem 116: Por causa dos Agostinhos

Ontem, o loft foi surpreendido pelo reconhecimento. Nem a propósito...

Talvez há 12 ou 13 anos, conhecemos (falo no plural porque tu, Margarida pediste expressamente que te mencionasse) um miúdo pequeno, gingão, vivaço, de olhos grandes e sorriso aberto a quem tantas mas tantas vezes disse: Agostinho, assim nunca mais chegas a Agosto!

Ontem, com 20 anos o Agostinho visitou-nos. Lembrava-se de nós. Olhou para mim com o mesmo sorriso aberto e olhos do tamanho do mundo. Não resisti, disse-lhe: Agostinho, tu afinal não chegaste só a Agosto, tu já estás em setembro ou outubro! Ele respondeu: lembras-te!?! e riu...

A experiência vivida diz, não é fácil de esquecer. Passou para agradecer. Passou por reconhecimento. O mesmo reconhecimento que não é da palmadinha nas costas, nem alimento do ego puro e duro. É antes força que nos move nos momentos mais periclitantes.

É por causa dos Agostinhos que nos agastamos todos os dias, e depois, mesmo que seja 12 ou 13 anos depois, sabe tão bem...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Viagem 115: FAMÍLIAS +

Principio da tarde e o dia corria igual a tantos outros, quando o telefone toca: será que conseguíamos arranjar comida para uma família de 3 elementos - um casal e um menino de 3 anos. A resposta foi imediata como é sempre. Em pouco menos de 2 horas de Massamá chegava um saco de mercearias e meia dúzia de litros de leite.

Começamos a ser conhecidos por responder prontamente às necessidades urgentes. Mais do que conhecidos, reconhecidos. O reconhecimento é muito importante. Move-nos nos momentos mais periclitantes.

Não falo do reconhecimento de palmadinhas nas costas, de alimento do ego puro e duro. Este é outro. É de contributo que não tem rosto definido. É de esforço de muitos que ontem sem saberem deram jantar ao pai, à mãe e ao filho de 3 anos.


Através do FAMILIAS +, famílias ajudam outras famílias com alimentos, produtos de limpeza e higiene. Famílias que sem saberem, mudam os dias de outras famílias. Ser um elo desta cadeia é fenomenal.


Ontem, por mera casualidade fui eu quem entregou o saco e viu o rosto do reconhecimento.


Por entre o desespero, ontem eu vi a força que nos move nos momentos mais periclitantes.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Viagem 114: Serviço Público


No carro, de manhã ouvi a noticia do sorteio das faturas. Não fui capaz de não lhe dar boleia, até porque, este foi tema de conversa ao jantar no sábado entre os convivas.


Pelo que ouvi hoje, confirmo que nós estamos pelo menos 48 horas à frente do nosso tempo. Aproveito então a oportunidade para sintetizar o que pensámos como prova de toda a minha boa vontade e disponibilidade para ajudar o país (as ideias apresentadas não são minhas, gostava que tivessem sido porque são top)

Foi hoje conhecido o nome do concurso: FATURA DA SORTE!

Nós propomos que seja criado um programa de televisão em horário nobre na RTP (está na altura de passar a fazer serviço público à séria e de qualidade), talvez ao sábado, com apresentação de José Sócrates (quem vai ao domingo mais depressa vai ao sábado).

Um programa com o nome de FATURA DA SORTE tem que ter pelo menos 2 horas de duração, uma tombola com todas as rifas, o Vitor Gaspar a explicar como é que se consegue a rifa para poder participar neste concurso, uma empresa ou outra de venda de equipamentos e programas de faturação com informações aos comerciantes e o vencedor da semana anterior a contar como é que a sua vida mudou depois de ter ganho a FATURA DA SORTE. Pelo meio, um artista ou dois a fazer playback com os hits do momento.

Ainda não vi explicado se o imposto de 20% sobre os prémios de jogo superiores a €5.000,00 também se aplica, ou se está a ser estudada a criação de uma comissão para estudar a possibilidade de criar um regime de exceção.

Uma coisa eu sei: vou continuar a colecionar rifas. Nunca tive sorte ao jogo mas, nunca se sabe quando é que isto muda!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Viagem 113: Coisas de Miss - sempre a surpreender

Pela manhã a conversa na casa de banho fluiu assim:


Ela: Eu quando "ser" bebé, estava na tua barriga, não era?
Eu: o quê?
Ela: Eu, Maria Catarina era da tua barriga, não era? E depois nasci.
Eu: Ah! Sim, tu estiveste na minha barriga e depois nasceste.
Ela: Pois... "tavo" na tua barriga. E o Francisco também.
Eu: Sim, tu e o Francisco estiveram na minha barriga antes de nascerem.
Ela: Pois... Sabes, eu não adorei isso de estar na tua barriga.


Ela pode não ter adorado, já eu...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Viagem 112: Os brilhantes vs Os cinzentos






Hoje de manhã vinha no carro e dá-se esta música. Balada Astral. Sem palavras. É tão extraordinária quanto a história da sua criação. Cada vez acredito mais que há pessoas que estão marcadas para brilhar. Outras, a maioria passarão cinzentas quase transparentes. Tenho tanta, mas tanta inveja de não fazer parte do grupo dos primeiros.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Viagem 111: Super poderes

Sexta feira aconteceu mais uma conversa improvável no loft. Falavamos sobre pessoas, que por acaso são mulheres, que por acaso são mães e que por acaso às vezes também ficam doentes.

Doenças simples mas, que deitam abaixo qualquer um. Doenças simples mas, que gritam por cama, aconchego, sossego, lenços de papel, bebidas quentes, um comando de televisão e cobertores.

Estou nesta condição.

No último dia da semana fui trabalhar porque já tinha o piloto automático ligado, não encontro outra explicação: a minha garganta parecia lixa, a minha cabeça pesava à vontadinha uma tonelada e como tinha os ouvidos tapados, passei todo o dia mergulhada numa piscina. Ao final do dia recolhi os miúdos, fui para casa. Passei os banhos, a alegria foi geral! Fiz o jantar, enquanto isso apanhei roupa, pus roupa a lavar, servi o jantar, arrumei o pós jantar, vesti pijamas e deitei-me já devia ser para aí, outro dia.

Sábado, acordei com febre. Tomei um comprimido, deitei-me, dormi. Interrompi a necessidade de cama para preparar uma para a natação, outro para o futebol. Aproveitei e estendi roupa, pus roupa a lavar, organizei o almoço, fui assistir ao jogo de futebol, passei pelo supermercado. Regressei a casa e retomei o estado de doente, tomei um comprimido e dormi. Interrompi. Ajudei no jantar, servi o jantar, arrumei o pós jantar, vesti pijamas, tomei um comprimido e deitei-me.

Sexta feira, no loft, falavamos sobre os super poderes que ganhamos com a maternidade. Nunca pensei conseguir mas, a verdade é que também eu ganhei um interruptor liga/desliga o modo doença.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Viagem 110: Coisas de Miss

Ontem as fraldas foram oficial e totalmente dispensadas!

Depois do banho, a Miss fez o anuncio solene: hoje eu dorme de cuecas!

Pensei: bolas! podias ter decidido isto a semana passada, aproveitei a promoção do supermercado no fim de semana e agora temos fraldas novas, novinhas a estrear.


Sempre acreditei que o melhor é deixar os miúdos decidirem sobre estas coisas, por isso apoiei, cheia de medo, afinal o tempo não está para secagens. Chove copiosamente há dias, a roupa não seca e já há roupa para lavar que chega sei lá até onde. Tenho momentos em que penso que nos mudámos para uma lavandaria.

Correu bem, muito bem. Tudo seco, sequinho pela manhã.

Mais uma prova superada pela Miss.

P.S.: a 22 de janeiro já não tenho a certeza que este seja o ano do escritório mas, será sem margem de erro o ano das fraldas, ou do adeus a elas

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Viagem 109: Francisquices - parte... nem sei

Este miúdo dá cabo de mim!

Andava eu a arrumar as coisas da escola do passado quando encontrei um texto que a dada altura diz:

... «Eu gostei mais do Português por causa da maneira como conjugamos verbos com tantas cores como vermelho, preto e verde» ...

e continua:


... «tive mais dificuldade na posição ao sol em que tínhamos de pôr protetor solar»


É impossível não dar boleia à essência das coisas...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Viagem 108: Deixa

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Não consigo imaginar a azáfama interior que se lhe atravessa. Deve ser imensa e isso atormenta-me.

Sou atormentada pelo deita-abaixo, pelo chorinhas, enfim... enquanto isso, ele diz: eu até já estava habituado e já não me importava. Bastava que eles deixassem de ser assim. Mas eles não iam deixar, não era? Deixa. Se calhar até vão ficar contentes. Deixa. 

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Atormenta-me pensar que ele está a fazer o caminho de novo, cheio de medo mas tão forte. Às aranhas mas, disposto a correr o risco. Dizendo: deixa mas a pensar que o mal compensa porque como ele diz: ele é que teve de mudar. Ele é que teve de deixar o coro. Coro que o levou a abdicar da oficina de desporto.

Enfurece-me...

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Saiu erguido no primeiro dia mas de voz tremula. Já no conforto de estar de costas, disse: Deixa, preciso só de deitar umas gotas de água dos olhos. Fez-se silêncio no conforto de estar de costas. O recreio é mesmo mini mas, deixa...

Impotente, desconcerto-me.

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Um "Deixa" forte, fortíssimo... com travo a mágoa e a injustiça.

Enquanto a frase me atormenta as horas, ele forte, fortíssimo, diz: Deixa. Eu fraquinha, fraquinha não consigo.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Viagem 107: Novo Ano, Nova Vida

- És o Francisco?
- Sim.
- Eu sou o X. Vem comigo, vou apresentar-te os outros colegas.


Foi assim hoje de manhã, num novo começo que não poderia ter sido melhor.

Hoje sem farda, sem fardo, cheio de expectativas...