quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Viagem 108: Deixa

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Não consigo imaginar a azáfama interior que se lhe atravessa. Deve ser imensa e isso atormenta-me.

Sou atormentada pelo deita-abaixo, pelo chorinhas, enfim... enquanto isso, ele diz: eu até já estava habituado e já não me importava. Bastava que eles deixassem de ser assim. Mas eles não iam deixar, não era? Deixa. Se calhar até vão ficar contentes. Deixa. 

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Atormenta-me pensar que ele está a fazer o caminho de novo, cheio de medo mas tão forte. Às aranhas mas, disposto a correr o risco. Dizendo: deixa mas a pensar que o mal compensa porque como ele diz: ele é que teve de mudar. Ele é que teve de deixar o coro. Coro que o levou a abdicar da oficina de desporto.

Enfurece-me...

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Saiu erguido no primeiro dia mas de voz tremula. Já no conforto de estar de costas, disse: Deixa, preciso só de deitar umas gotas de água dos olhos. Fez-se silêncio no conforto de estar de costas. O recreio é mesmo mini mas, deixa...

Impotente, desconcerto-me.

Fraquinha, fraquinha: mal como, durmo mal. Tenho um nó da garganta ao estômago. Como pude eu deixar que isto acontecesse? Enquanto esta frase me atormenta as horas, ele diz: Deixa.

Um "Deixa" forte, fortíssimo... com travo a mágoa e a injustiça.

Enquanto a frase me atormenta as horas, ele forte, fortíssimo, diz: Deixa. Eu fraquinha, fraquinha não consigo.


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