«É uma casa tão linda
Que ternura quando a vejo!
Lembra-me o senhor Joaquim
Meu amigo do Alentejo
Carpinteiro tão velhinho
A trabalhar a madeira:
Eu olhava-o encantada
Sentadinha à sua beira.
Conheci-o quando fui
Para o Alentejo ensinar.
Professora de meninos
Meninos do meu amar.
Um dia o visitei,
Confessei-lhe, quase a medo:
Eu tenho um cão pequenino,
Um cãozinho de brinquedo.
Senhor Joaquim, tenho um cão
Que me deram os meus amigos,
Quando parti de Lisboa
Para sempre o ter comigo.
É cãozinho de brinquedo,
Um tesouro de amizade:
É um cão que não tem vida
Mas diz-me tanta verdade!
O senhor Joaquim olhou-me
Com seus olhos cheios de vida:
- Vou fazer-lhe uma casinha,
Uma perfeição florida...
E uma perfeição florida
Foi feita por suas mãos,
Mãos ásperas de pobreza
Tão doces de perfeição.
Eis a história da casinha
Feita pelo senhor Joaquim:
Tenho amigos e saudade,
Não tenham pena de mim!»
Matilde Rosa Araújo
Pergunta de interpretação feita:
Na tua opinião, por que motivo foi «quase a medo» (verso 14) que a autora confessou ao senhor Joaquim que tinha um cãozinho?
Resposta do Francisco:
Eu acho que ela tinha medo que o cão o mordesse.
Realmente... o que mais haveria de ser!
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