Na sexta, feriado, a conversa ao almoço corria assim:
Ele: Ora então, se hoje faz 40 anos o 25 de abril, há 10 fazia 30 anos e eu era tão pequeno. Ainda nem tinha 2 meses.
Eu: Pois. Mas, sabes em que dia é que estavas previsto nascer?
Ele: Não.
Eu: dia 24 de abril.
Ele: A sério! Na véspera do feriado! Porque é que eu nasci a 30 de março?
Eu: Porque estavas pronto e quiseste.
Ele: hum... e quem é que lá estava quando eu nasci?
Eu: Então, na sala mesmo onde nasceste só o pai. Depois cá fora estava a avó Graça à tua espera. E depois ao final da tarde, chegou toda a gente. Todos te queriam conhecer.
Ele: E quando a Maria Catarina nasceu, eu também lá estava?
Eu: Não. Estava lá só o pai.
Ele: Então mas eu sou o irmão, não podia estar?
Eu: Não. Só podem estar os pais.
Ele: Então onde é que eu estava?
Eu: Tu ficaste cá com a avó Noémia. Vieste da escola. Jantámos todos (eu, tu, o pai, a avó Graça, a avó Noémia e o tio Nuno) pizza, depois a avó Graça e o tio Nuno foram para casa, nós fomos para o hospital e tu ficaste com a avó Noémia.
Ela (a chorar): E eu, porque é que eu não fiquei com a avó Noémia. Eu também queria ter ficado! E eu não comi pizza?!? Porque é que eu não comi pizza? Porque é que eu não fiquei com a avó Noémia? Isto é muito injusto...
Não consegui conter as gargalhadas. Por momentos, saí de mim, olhei para aquele cenário e pensei: isto é tudo!
Para mim o resultado perfeito da soma 1+1 seria 5. Já perdi essa esperança. Também isso perdi. Aproveito como posso as coisas de Miss ou as Francisquices diárias. E como são valiosas estas coisas...
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