Hoje apanhei boleia até ao dia 22 de Agosto de 2006.
Há exactamente 5 anos começava uma viagem que duraria pelo menos um mês. A 22 de Agosto, eu e o Francisco entre outras coisas, jantámos fora e clandestinamente trouxemos connosco uma "amiga" salmonela.
Lembro-me muitas vezes deste episódio.
A cada 22 de Agosto, noite em que tudo começou, revivo os momentos que me lembro (porque muito do que aconteceu eu não me lembro) com muita intensidade: os desmaios, a fraqueza, o estado de inconsciência/consciência, os rostos das pessoas que me visitaram e a quem eu não consegui falar mas que com a sua presença me faziam crer que o assunto devia ser sério, o barulho e as luzes dos cuidados intensivos, as vozes a pedirem colaboração, a minha incapacidade para corresponder, as picadas para encontrar veias a dada altura verdadeiramente impossiveis de captar, as fraldas, a algalia, as duas horas de manhã e à noite de medicação intravenosa ininterrupta, o chá como única refeição, a máscara de oxigénio, a ginástica respiratória de manhã e à tarde, o primeiro creme de cenoura do hospital, os doze infindaveis dias no hospital, as onze infindaveis noites no hospital, enfim...
A cada 22 de Agosto me pergunto porque é que fui poupada...
A cada 22 de Agosto fico especialmente pessimista ao contrário do que seria de esperar e de toda a sorte que tive.
A cada 22 de Agosto tento com muito mais força, dar sentido a tudo o que me rodeia.
Hoje, 22 de Agosto, 5 anos depois, não consigo pensar de forma diferente.
É à boleia de tudo isto que desejo ardentemente que no mês de Agosto os dias passem de 21 para 23.
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