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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Viagem 176: A propósito de viver gente na Praia das Maçãs

Hoje ao terminar o dia na Praia, vi um panfleto amarelo com um número de telefone para destacar colado num poste. Tenho um problema com a curiosidade e fui ver...

Achei-o uma perola! Em certa medida até colocava o dedo na ferida. Chegada a casa, fui investigar este movimento nas redes sociais. Por impulso, pedi para ser incluída. Pode ser até que nem me aceitem, muito menos depois disto.

É verdade aqui vive gente! E o verão mostra o que há de pior nestas gentes de dentro e de fora. Para mim, um barómetro da crise são as férias escolares: se em tempo de férias as madrugadas forem calmas, a crise está a apertar; se pelo contrário, as madrugadas forem acompanhadas por bandos de cachopos aos gritos, a dizerem asneiras, a correrem e a provocarem travagens bruscas nos carros que passam, então concluo que a crise é apenas e tão só uma memória! Este verão a crise tem sido memória...

Bandos de miudecos sem cara para levar um estalo, começam a noite algures onde a imperial se vende ao preço da "uva mijona". Já bêbados e bem bêbados porque se há coisa que estes miúdos não sabem é onde fica o limite seguem pela estrada até ao centro da Praia, porque é lá que a animação continua. Pelo caminho tropeçam nos carris do elétrico, desafiam o perigo usando a estrada ao mesmo tempo que os carros, gritam pelos amigos, zangam-se, fazem as pazes, com isto acordam os cães, enfim... Se  se passar pelo parque de estacionamento da praça, está cheio de carros estacionados com as bagageiras abertas e miúdos sentados no chão a beber e de garrafas de litro na mão. Depois há uma loja no centro de lojas que abre apenas meia dúzia de noites por ano, para vender álcool e não é para feridas. É mesmo o tipo de negócio com pertinência num centro de lojas como aquele. Tem apenas 10 lugares em pé, mas são às dezenas os que lá param ocupando a rua.

A noite é só reflexo do dia! Mais tenebroso, ainda assim reflexo.

Ir a pé até ao Centro é o mesmo que dizer ir pelos carris do elétrico. É preciso fazer opções. Para quê ter passeios para as pessoas usarem todos os dias, quando se podem ter carris para o elétrico circular metade da semana? Já no Centro, os passeios estão inundados de esplanadas, todas certamente devidamente autorizadas e com propriedade para expulsar os peões.

O Clube está cada vez mais coberto de madeira descaracterizando um edifício de traça típica. Devagar, devagarinho ele acabará todo forrado perante a passividade de todos.

Temporada a temporada, o pão com chouriço fica mais pequeno mas por um preço maior.

Na praça existem os preços até 09 de junho e depois de 10 de junho. Os otários que paguem o que os comerciantes não conseguem dinamizar.

A meio deste verão abriu finalmente uma loja de gelados e crepes! No outro dia serviram-me uma banana com 3 meses de vida, hoje fiz nova tentativa: o suposto sumo de laranja natural era não mais do que um copo de água tingida de laranja. Decido, não volto mais aqui, mas não ir lá é o mesmo que dizer não vou ao restaurante da ponta e àquele que nem sei que nome lhe dar que fica no cimo da descida porque é tudo do mesmo!

Irritou-me o tipo que desancou uma miúda que partiu uns pratos a pôr a mesa no restaurante com vista para a praia. Não voltar lá é o mesmo que dizer que não se pode entrar em pelo menos mais 3 portas da frente.

A Bola de Berlim é mais cara que no Algarve e nem é servida na areia, é preciso ir busca-la.

De repente a Praia fica minúscula! (apesar dos seus 2 sois!)

Quando vi este papel pensei: olha há mais quem pense como eu, mas se calhar não! Ficaram tão contentes quando os vereadores na Câmara do Movimento que elegeu o presidente da Junta  lhes disse que os quer receber. Será que irão pedir desculpa pelo não trabalho do seu eleito, ou quererão argumentos para o despedirem com justa causa?

O dia é só reflexo da noite! Menos tenebroso, ainda assim reflexo.

Enfim...


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Viagem 166: Brevissimas

1.
O preço do barril do petróleo atingiu o valor mais baixo dos últimos 12 anos; bem sei que precisamos de ter em conta o câmbio dólar/euro e a carga fiscal. Com a mesma rapidez com que sobem o preço do combustível, desçam-no! Não há vergonha


2.
Nem o ténis escapa! Começo mesmo a acreditar que nascemos intrinsecamente maus e depois alguns tornam-se bonzinhos e outros ainda poucos, como totós tornam-se bons.
Haverá esperança para a humanidade?

3.
Em plena campanha eleitoral temos de tudo: um candidato que goza com os eleitores de modo despudorado; uma candidata que está para falecer a qualquer instante; uns quantos artistas que aproveitam como podem estes 15 diazinhos de fama e 2 candidatos que aproveitam o tempo de antena para dar visibilidade aos seus partidos. É o que merecemos!!!

E assim corre a vidinha...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Viagem 164: vacinas... a última saga do ano

Por vicissitudes que agora não vêm para o caso é tempo de vacinação por estas bandas!

Anteontem tirei o dia para andanças onde se incluíam as vacinas. Catita da Silva e com dois miúdos a fazerem figas em busca de algum impedimento, chegámos ao Centro de Saúde. À porta, numa folha branca com letras a bold podia ler-se: novo horário de vacinação: 2ªfeira: 14h - 17h, 4ªfeira: 16h-17.30h e 6ª feira: 11h-13h. Anteontem era 3ª feira, entrei apenas para confirmar e reorganizei a agenda na minha cabeça para ontem, 4ªfeira poder cumprir o desígnio da vacinação. Escusado será dizer que os miudos jubilaram de felicidade.

Ontem, 4ªfeira 16.08h entramos no Centro de Saúde e tiramos a nossa senha. Eramos o 00, o quadro marcava 98. O Francisco ficou contente: eramos o 00, nunca tiramos uma senha 00 (devia ser sinal de sorte, pensei eu).

O número mudou e mudou novamente. A nossa vez. À pergunta o que nos trouxe, respondi: vacinas para todos!! A senhora ri-use. Entreguei os documentos do Francisco... som do teclado... um suspiro... nesta altura pensei: parece que há problemas... Não estava ativado, ouvi por fim. Nunca moramos noutro sitio, se não estiver ativado aqui, não está em mais lado nenhum! Pois. Há quanto tempo não vem cá? Qual é o nome do seu médico de família? Não sei, creio que não temos médico de família. Tem que ter. Todos os nosso utentes têm médico de família. A senhora tenta de todas as formas ativar a cria sem sucesso. Estamos todos assim! (nesta altura olhei para eles e só com o olhar disse-lhes: não acredito que continuam com esta coisa das figas!!)

Como não usamos apresar de sermos obrigados a pagar varrem-nos e assim cria-se a ilusão de que todos têm médico. Disparo em todas as direções: já é ridículo termos que nos sujeitar ao horário (diga-se em abono da verdade bom para quem trabalha a 35 km de distância da sua casa que fica a 3 Km do seu Centro de Saúde). Segundo consta, mas não está escrito para não se usar discricionariamente é possível pedir um agendamento para outro horário que depois pode ou não ser autorizado pela enfermagem; e depois pagamos e não podemos usufruir do serviço porque não vamos lá muito e para podermos voltar a usar temos que ir a outro Centro de Saúde porque neste já não se aceita ninguém e depois então podemos ir a qualquer Centro de Saúde receber as vacinas do plano nacional de vacinação. Repeti tudo o que me disseram só para ver se continuavam a acreditar em tudo o que lhes saía pela boca fora. Parece que é o sistema e ninguém ousa sequer a questionar. Saí furiosa, mas claro já com o plano B desenhado na minha cabeça à medida que ía falando.

Estava no estacionamento a apertar os cintos à Miss, dirigiu-se o segurança e uma das funcionárias: sabem de fonte segura que a CUF vacina os miúdos! A CUF!?! Sim, eu também sei!!!

Uma equipa de pessoas amorosas, diligentes, mas amarradas a um sistema que não serve os seus clientes e que não tem quem ponha a descoberto todo este ridículo.

[A CUF era claro o meu plano B! Saí de lá e telefonicamente marquei para hoje às 12h! Abençoado SNS...]

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Viagem 160: Hidrata-te, vais precisar...

Costa,

Foste finalmente indicado Primeiro Ministro, a sede levou-te aí. Aproveita agora e hidrata-te, vais precisar. Tentas acalmar as hostes da ala do que tem nome de filosofo mas que se licencia ao fim de semana e dás a cultura ao Júnior Soares, já estamos a ver quão relevante essa área vai ser...

Acredita, hidrata-te. Vais engolir muitos batráquios e eles precisam do seu meio natural para sobreviverem. 3/4 dos teus camaradas de acordo não te vão dar descanso.

Aproveita agora e hidrata-te. De caminho escreve em papeis de todos os tamanhos e feitios a frase "PALAVRA DADA É PALAVRA HONRADA"e depois espalha-os, vais precisar...

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Viagem 156: Carta sem selo


Portugal, novembro de 2015


Exmo. Sr. Presidente da Republica,


Tenho acompanhado pela comunicação social que V. Exa. está a ouvir Portugal inteiro antes de tomar uma decisão quanto à governação do nosso país, mesmo depois de ter dito que já tinha estudado todas as opções.

Ainda não recebi a minha convocatória, mas para a semana não tenho muita disponibilidade para me deslocar a Belém, contudo estou disponível para fazer alterações nos meus afazeres desde que não seja 2ª feira, porque faço anos.

Imagino que as convocatórias, em nome da igualdade, devem estar a ser emitidas por ordem alfabética e eu sou da letra J. Pronto, avise-me com pelo menos uns diazinhos de antecedência, até para eu poder organizar a saída dos miúdos da escola.

Enalteço a sua veia de ouvinte de todos nós, sim porque isto de ser Presidente de todos os milhões de portugueses dá muito trabalho no que diz respeito a ouvir.

Atenciosamente,

Joana
(eleitor sempre cumpridor do seu dever de votar)








terça-feira, 10 de novembro de 2015

Viagem 155: Mau perder

As últimas semanas neste retângulo soalheiro têm sido como uma viagem na lagarta da saudosa Feira Popular.

Todos ganharam, todos os outros perderam! Mesmo quem não perdeu, amua e depois encontra uma forma de confirmar que não perdeu como afirmou.

Conheço bem esta sensação. O meu pai chamava-lhe B-A-Z-A-L-U-C-A e eu ficava verdadeiramente irada sempre que isto me acontecia nas jogatanas de monopólio. Era tramado.

O resultado das eleições foi uma surpresa, pelo menos para mim foi. Esperava que o governo anterior perdesse e por muito. Esperava que o PS ganhasse e por muito. Não esperava nada dos outros, mas imaginava que engordassem à boleia do descontentamento.

Ora, o governo ganhou mesmo depois de toda a austeridade e arrogância, da falta de palavra, da falta de humildade e tudo o mais, ganhou. Ganhou.

O PS empenhou-se e muito para perder. Mas depois lembrou-se que perdendo não podia ser primeiro ministro e ele queria ser primeiro ministro. Foi porque queria ser primeiro ministro que tirou o Seguro (um ingénuo neste mundo podre da politica).

Como já vem sendo costume neste retângulo soalheiro, entretemo-nos com o acessório e fazemos birra perante a frustração. O BE, o PCP e se calhar o PS tinham como vontade primeira que o CDS e o PSD perdessem, mas não foi isso que aconteceu.

Têm revelado mau perder durante todos estes dias. Conheço bem essa sensação. O meu pai chamava-lhe B-A-Z-A-L-U-C-A e eu ficava verdadeiramente irada sempre que isto me acontecia nas jogatanas de monopólio. Era tramado. Ainda hoje é.