terça-feira, 21 de abril de 2015

Viagem 136: a propósito de PRÓS E CONTRAS


Ontem lá fomos... aceitamos o desafio de sexta feira ao final da tarde. Chegámos lá ontem e saímos de lá hoje. 

Fomos porque trabalhamos nisto ainda antes de termos representações na comissão. Mas fomos também pela adrenalina da novidade, não creio que seja mau reconhecê-lo. Gostei, ainda o programa não tinha começado e eu já estava a gostar. Quando descobri que ouviria falar ao vivo os Professores José Gameiro e Eduardo Sá, aí comecei a adorar!

Com o decorrer do Programa comecei a inquietar-me tanto, mas tanto que se o Programa tivesse mais trinta segundos eu não me tinha segurado...

As conversas são como as cerejas, começamos num lado e terminamos onde calhar, mas acho que foi uma enorme oportunidade perdida. A jornalista Fátima Campos Ferreira tem um à-vontade assinalável só que não pareceu estar convenientemente preparada, muitos dos intervenientes estavam claramente comprometidos com o sistema instalado e por isso não conseguem falar dele porque acham, entre outras coisas, que se está a pôr em causa o seu trabalho.

A verdade é que as comissões funcionam como podem, assentes numa ideia idílica de que a comunidade pode e deve assegurar o seu funcionamento, substituindo-se ao Estado. Assim sendo, criam-se as comissões que são compostas por um grupo alargado e outro restrito. Cabe aos elementos do grupo alargado indicar elementos que ficam associados ao grupo restrito, esses sim responsáveis depois pelo acompanhamento dos casos sinalizados. Fazemos parte do grupo alargado, mas não temos condições para fazer parte do restrito. Eu mesma tiro o chapéu às Instituições com essa capacidade, porque nós não poderíamos prescindir de nenhum dos nossos colaboradores mantendo com ele todo o vinculo (leia-se pagamento de vencimento e manutenção do seu lugar) sem que este estivesse a cumprir o seu horário na nossa Instituição. Aliás, desde o primeiro momento que percebi este funcionamento que disse de mim para mim: ora aqui está uma belissima maneira de fazer ovos mexidos sem ovos.

A verdade é que as comissões funcionam como podem, para atuarem precisam do consentimento dos pais sem isso, nada feito. Quando os pais são os agressores já se pode imaginar o seu nível de interesse cooperativo.

A verdade é que as comissões funcionam como podem, e só não acontecem mais casos como o de Oeiras ou de Loures porque o cosmos se alinha de tal maneira que favorece o equilibrio e se calhar, mesmo que funcionassem na perfeição continuariam a acontecer casos com o de Oeiras ou de Loures, porque nestas circunstâncias existe sempre um grau grande de imprevisibilidade.

A verdade é que as comissões funcionam como podem e dentro destes moldes, a que conheço não poderia funcionar melhor. Existe entrega, dedicação, empenho e um medo enorme de ter uma fatalidade nas mãos quando menos se espera.

A verdade é que as comissões funcionam como podem, e enquanto o modelo for este não se pode querer ser levado a sério. 

Ontem lá fomos... hoje, cá continuamos inquietas e a agradecer à estrelinha que mantém o cosmos alinhado.

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