segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Viagem 134: Carta à Grécia

Portugal, 26 de janeiro de 2014


Caros Gregos,

Acompanhei ontem com enorme expectativa e diria mesmo algum entusiasmo as vossas eleições de ontem.

Sim senhora, aquilo é que foi! Muitos de nós devíamos pôr os olhos em vós, sem receio ousaram quebrar com os senhores que parece que eles é que sabem sem nunca descerem à terra.

Precisavamos de reviravoltas como esta também por aqui.

Agora, gostava que também vocês mudassem umas coisitas: isso de mandar estatísticas mentirosas não foi bonito. Nada justifica que vos tratem como miúdos de escola que deitaram o lanche fora, mas assumam que tentaram comer os outros por parvos.

São os impostos, os vossos, que sustentam o vosso estado social, por isso paguem-nos, não fugam deles como o diabo da cruz.

Foram os impostos, os nossos, que contribuíram de algum modo para que recebessem ajuda, pensem bem, mesmo muito bem, antes de aumentarem salários e coisas que tal. Só para vos dar um exemplo, o nosso salário mínimo continua a ser mais baixo que o vosso e apesar de tudo não estamos tão mal quanto vocês. É fácil dizer que a culpada é a "gorda", só que o dinheiro não é dela. O dela deve estar num daqueles bancos que não precisou de ser intervencionado para salvar os depósitos das pessoas.

Vocês precisam de esperança, sim precisam, mas precisam de mudar a vossa forma de estar, pelo menos enquanto precisarem do dinheiro dos outros, depois é convosco, eu pelo menos depois não quero saber.

Por cá, continuamos à espera de D. Sebastião, (há séculos que esperamos que volte num dia de nevoeiro e nada!) não creio que nas nossas eleições deste ano tenhamos tanta coragem como vocês, até porque não se vislumbra alternativa. Eu desde há algumas eleições que milito no partido dos votos brancos e cada vez mais acredito que só acontecerá mudança séria quando os votos brancos tiverem uma votação maior que a soma de todos os partidos juntos. Enfim...

Enquanto nada muda continuaremos a lamentar-nos e dizer mal no café. Quanto a vós que decidiram experimentar diferente, desejo-vos uma pitadinha (pequena) de sorte, muito empenho, esforço, dedicação e trabalho. Continuarei a acompanhar-vos e um dia espero fazer-vos uma visita!

Saudações Lusas,

Joana


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Viagem 133: O Homem do Leme




Hoje, esta música ocupou a minha cabeça ainda nem tinha acordado, andava apenas em piloto automático. Adoro desta música.

Foi ao som desta música que me despedi de si, avô. Não sabia que havia música ambiente naquelas salas dos hospitais, se calhar até não há, é só ali, não sei...

Não sei se o avô foi o Homem do Leme, se calhar não foi. Também não sabia que teria tantas saudades suas, tem dias que o avô não me sai da cabeça.

Os dias atropelam-se no calendário e nem posso crer que já passaram uma mão cheia de dedos.

Não sei se o avô foi o Homem do Leme, mas esta foi a banda sonora da nossa despedida.


domingo, 12 de outubro de 2014

Viagem 132: todos os lados de uma moeda

Estava a ser um bom fim de semana. Bom no sentido produtivo e ainda faltava um dia, pelo menos era o que eu pensava.

Manhã de TPC's para o primogénito, brincadeiras para a Miss e trabalho para mim. Almoço na avó. Umas voltas mais com passagem no escritório incluída levou-nos a casa com o jantar debaixo do braço. Aproveitei o tempo do futebol para trabalhar mais um pouco.

A dada altura, enquanto eu estava tão, mas tão contente por já ter conseguido fazer sem exagero 150 recibos, diz o rapaz:
- esses miúdos devem ser mesmo muito importantes para ti, não?
- o quê? (que grande estalo!) Não estou a perceber. Que miúdos?
- esses desses papeis

Da realização de já ter em dia AC, PL e praticamente A à culpa por ter conseguido já ter em dia AC, PL e praticamente A foi um tirinho. Bolas.

Ainda a refazer-me deste tombo aparece a Miss:
- Mãe, atende o teu telefone. Estou a ligar-te do meu telefone dos dramas
- Donde? Telefone dos dramas ?!? Tu tens um telefone dos dramas? O que é um telefone dos dramas?
- Então, é um telefone para urgências. E eu preciso de falar contigo
- Mas eu estou mesmo aqui
- Pois mas tens esses papeis...

Ui! Miudos 2 - Mãe 0

[apesar de tudo: AC, PL e A ficaram prontos e SC adiantado!]

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Viagem 131: É possivel um novo inicio? - Dia 1



"É possivel um novo inicio?", esta é a proposta da nova Escola para cumprir este ano letivo.

Confiantes qb, expectantes e disponiveis para agarrar o futuro, hoje é o Dia 1 de uma nova etapa.

[e eles estavam tão janotas, tão comportados, tão disponiveis para aceitar o que escolhemos para eles ...]

Estes miudos são mesmo uma preciosidade!

sábado, 6 de setembro de 2014

Viagem 130: Coisas de Miss - Teorias sobre... coisas

Esta miuda pensa sobre tudo, não sei como é que consegue.

Teoria1:
As pessoas guardam o cócó no rabo.

Teoria2:
Ela ainda não é uma pessoa, é só uma filhota porque anda na escola e as pessoas já não andam na escola.

Eu acho simplesmente delicioso e por isso não poderia deixar de lhe dar boleia...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Viagem 129: O chão voltou a fugir


Ontem, o chão voltou a fugir dos pés de uma familia. Nunca é certo. Nunca é justo.

Não conheço a Leonor. Não conheço a sua familia. Mas consigo reconhecer a garra, a força e a determinação.

Não imagino o que os pais da Leonor estão a viver. Não encontro uma só palavra...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Viagem 128: É hoje que anda à roda...

Se não estiver enganada é hoje que saem as notas dos exames de 4ºAno.

Para mim é como saírem os números da lotaria. Isto porque com o Francisco é tudo sempre um bocado aleatório. Que ele sabe, sabe, não há dúvida. Que ele estava disponível para mostrar, isso já é outra conversa...

Sou das poucas pessoas que conheço que é favorável aos exames (e era tão fácil ser o oposto olhando para o que tenho em casa). Eu acho que é necessário aferir globalmente o que todos sabem em cada ciclo de ensino e, pelo menos, tentar garantir que todos vão com os conhecimentos básicos para o ciclo seguinte.  Por outro lado, a forma como tenho visto e ouvido professores preparem os seus alunos, leva-me a confirmar a minha posição. Exames são precisos.

Como tinha cautela para esta lotaria, vi os exames do ano passado, apreciei livros de preparação com potenciais exames, comparei com os manuais de 4º Ano e conclui que estão em registos diferentes, muito diferentes. Os manuais, atrever-me-ia a dizer, são para tontos! O nível de dificuldade é mínimo e convida a não pensar, porque isso dá cá um trabalho!

Em suma: a escola alfabetiza tendo como padrão os mínimos e os exames questionam sobre literacia (que está longe de ser mínimo). Claro que enquanto assim for, estamos mal.


Os professores fazem parte de uma classe que entende que não carece de ser avaliada, que não tem que se sujeitar a exame de admissão para a carreira e cujo trabalho não precisa de ser medido. Como se 100% dos professores fizesse 100% de bom trabalho, 100% das vezes. Acho que não existe. Falo de barriga cheia: o rapaz teve boas professoras e quando não estava a resultar não exitamos e mudámos. Muitos pensaram que seria uma má jogada tendo em conta o ano em questão, poucos disseram. Aqui chegados e antes de sabermos resultados, afirmo: valeu mesmo a pena.

Aguardo com expectativa pelo fim da tarde para saber onde nos situamos entre o primeiro prémio e a terminação.