A campanha corre veloz e cheia de vazio. Tenho acompanhado esta campanha principalmente pela curiosidade que os candidatos improváveis me suscitaram.
Vitorino Silva, o conhecido Tino de Rans já ganhou!
Para continuar preciso de fazer uma declaração de interesses (o que é revelador da falta de igualdade), não sou apoiante de Vitorino Silva, não tenho essa capacidade reformista.
O jornalismo comprova a sua pobreza e incompetência. À boa maneira desportiva, decidiram que as eleições teriam duas ligas: a dos partidos e juntaram-lhe um candidato "fresco" para dar a ideia de novidade e mudança, para jogarem no campo relvado e depois os outros que jogam no campo de terra batida, aqueles que o jornalismo e todos os comentadores se dão ao luxo de desvalorizarem.
Escrutinados, estes ditos de segunda liga, têm pelo menos tantas competências académicas como os óbvios; têm porventura mais experiência profissional que os óbvios; conhecem melhor a vida comum do dia a dia que os óbvios; todos têm mais de 35 anos, são portugueses e conseguiram organizar todo o seu processo (o que deveria ser revelador das suas capacidades de realização, porque não deve ser fácil conseguir as 7.500 assinaturas, isto só para começar!).
Há semanas o Vitorino Silva esteve no Forum TSF e deu uma lição ao jornalista e a alguns ouvintes que ligaram só para descarregarem a sua incapacidade de concretização; ontem de manhã na SIC Noticias teve que aturar o ar incrédulo da jornalista e telespectadores que não percebem o que lhes é pedido: a instrução era simples, ligar e colocar uma questão ao candidato, o que é que a maioria fez? Comentou esquecendo-se da pergunta. À noite lá levou com 2 jornalistas numa virada só.
3-0 a favor de Vitorino Silva. Sem esforço, sem apelo nem agravo. Como se ser Presidente da Republica se resumisse a saber usar talheres, colocar guardanapos no colo e gravata. Como se ser Presidente da Republica fosse uma espécie de coroação, um prémio de fim de carreira, de fim de linha, enfim...
É triste mas ao mesmo tempo muito revelador que alguém tenha que afirmar que se honra de ser calceteiro, mas que também é mestre deles; que tem frequência universitária (o que deixa os jornalistas muito admirados); que a sua mulher tem um mestrado; que a sua filha está integrada no ensino superior publico; que consiga responder com estórias e histórias da sua vida às perguntas que se admiram pela sua posição.
Não sou apoiante de Vitorino Silva, não tenho essa capacidade reformista, antes faço parte daquele grupo de pessoas desesperançadas, mas que nada muda...