quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Viagem 179: Versão 4.0

Sol firme e céu azul foi assim que se apresentou o dia de receber a versão 4.0 de mim!

Atualização após atualização depois de muitos nós desatados, atropelamentos de camiões com reboque, murros no estômago que o deixavam colado às costas, mas também de risos até às lágrimas, surpresas de tirar o folego e borboletas no peito, chego a esta versão revista e melhorada.

Adoro fazer anos, mas já gosto mais dos deles; continuo a fazer contagem decrescente desde 23 de outubro, mas já só na minha cabeça; tenho uma lista de prendas, mas não a partilho, faço dela minha durante todo o ano.

Inquieta-me a vida, não pela adrenalina do desconhecido, mas pelo medo do que não viverei, pelo desconcerto das pessoas pequeninas por dentro e pela desesperança em geral.

Recordo os que fui perdendo pelo caminho de muitas maneiras. O caminho ficou mais difícil sem eles.

Enchem-me as pessoas que encontrei, as que gerei, os sítios que descobri e todas as oportunidades que tive.

Continuo sem saber usar maquilhagem, a usar saltos altos apenas quando tem mesmo que ser e mesmo assim com uns sapatos rasos atrás, a não gostar de falar ao telefone, mas a falar mesmo que a voz me doa. Já não tenho pacotes de gomas nos bolsos dos casacos.

Sou grata pela mochila que carrego...

sábado, 8 de outubro de 2016

Viagem 178: 4.0

Tenho-te na minha vida há mais tempo do que tenho de vida sem ti... Do baú desencantei estes 2 tesourinhos e o tempo andou tanto para trás (bem mais para trás do que o tempo destas fotos!)

Entre slows em quartos escuros, viagens de autocarro até Queluz e de comboio sem bilhete só pela adrenalina, o bacalhau com natas da tua mãe, aulas inteirinhas à conversa em folhas de rascunho, as "boleias" do teu pai depois da dança, croissants com chocolate no Babilónia, horas de explicação de química intermináveis, o que nós andamos... já nessa altura eramos tão felizes!

A vida foi-se construindo tijolo a tijolo, Km a Km umas vezes sem mapa outras com plano e agora entraste nos entas! Será maravilhoso de certeza, aproveita e "que de nenhum fruto queiras só metade" (adoro esta expressão, tenho pena que não seja minha, mas é perfeita para a ocasião).

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Viagem 177: Retomar o circulo

O mundo anseia por eles!

Farão coisas brilhantes e deixarão a sua marca. Não tenho duvidas.

Hoje o circulo retoma o seu desenho habitual, ele no 3º ciclo, ela no 1º. O tempo foge à velocidade da luz sem dó nem piedade.

 Cada degrau que sobem, cada conquista que fazem, cada obstáculo que superam é um ponto que acrescentam a esse circulo.

Não tenho dúvidas: eles deixarão a sua marca!


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Viagem 176: A propósito de viver gente na Praia das Maçãs

Hoje ao terminar o dia na Praia, vi um panfleto amarelo com um número de telefone para destacar colado num poste. Tenho um problema com a curiosidade e fui ver...

Achei-o uma perola! Em certa medida até colocava o dedo na ferida. Chegada a casa, fui investigar este movimento nas redes sociais. Por impulso, pedi para ser incluída. Pode ser até que nem me aceitem, muito menos depois disto.

É verdade aqui vive gente! E o verão mostra o que há de pior nestas gentes de dentro e de fora. Para mim, um barómetro da crise são as férias escolares: se em tempo de férias as madrugadas forem calmas, a crise está a apertar; se pelo contrário, as madrugadas forem acompanhadas por bandos de cachopos aos gritos, a dizerem asneiras, a correrem e a provocarem travagens bruscas nos carros que passam, então concluo que a crise é apenas e tão só uma memória! Este verão a crise tem sido memória...

Bandos de miudecos sem cara para levar um estalo, começam a noite algures onde a imperial se vende ao preço da "uva mijona". Já bêbados e bem bêbados porque se há coisa que estes miúdos não sabem é onde fica o limite seguem pela estrada até ao centro da Praia, porque é lá que a animação continua. Pelo caminho tropeçam nos carris do elétrico, desafiam o perigo usando a estrada ao mesmo tempo que os carros, gritam pelos amigos, zangam-se, fazem as pazes, com isto acordam os cães, enfim... Se  se passar pelo parque de estacionamento da praça, está cheio de carros estacionados com as bagageiras abertas e miúdos sentados no chão a beber e de garrafas de litro na mão. Depois há uma loja no centro de lojas que abre apenas meia dúzia de noites por ano, para vender álcool e não é para feridas. É mesmo o tipo de negócio com pertinência num centro de lojas como aquele. Tem apenas 10 lugares em pé, mas são às dezenas os que lá param ocupando a rua.

A noite é só reflexo do dia! Mais tenebroso, ainda assim reflexo.

Ir a pé até ao Centro é o mesmo que dizer ir pelos carris do elétrico. É preciso fazer opções. Para quê ter passeios para as pessoas usarem todos os dias, quando se podem ter carris para o elétrico circular metade da semana? Já no Centro, os passeios estão inundados de esplanadas, todas certamente devidamente autorizadas e com propriedade para expulsar os peões.

O Clube está cada vez mais coberto de madeira descaracterizando um edifício de traça típica. Devagar, devagarinho ele acabará todo forrado perante a passividade de todos.

Temporada a temporada, o pão com chouriço fica mais pequeno mas por um preço maior.

Na praça existem os preços até 09 de junho e depois de 10 de junho. Os otários que paguem o que os comerciantes não conseguem dinamizar.

A meio deste verão abriu finalmente uma loja de gelados e crepes! No outro dia serviram-me uma banana com 3 meses de vida, hoje fiz nova tentativa: o suposto sumo de laranja natural era não mais do que um copo de água tingida de laranja. Decido, não volto mais aqui, mas não ir lá é o mesmo que dizer não vou ao restaurante da ponta e àquele que nem sei que nome lhe dar que fica no cimo da descida porque é tudo do mesmo!

Irritou-me o tipo que desancou uma miúda que partiu uns pratos a pôr a mesa no restaurante com vista para a praia. Não voltar lá é o mesmo que dizer que não se pode entrar em pelo menos mais 3 portas da frente.

A Bola de Berlim é mais cara que no Algarve e nem é servida na areia, é preciso ir busca-la.

De repente a Praia fica minúscula! (apesar dos seus 2 sois!)

Quando vi este papel pensei: olha há mais quem pense como eu, mas se calhar não! Ficaram tão contentes quando os vereadores na Câmara do Movimento que elegeu o presidente da Junta  lhes disse que os quer receber. Será que irão pedir desculpa pelo não trabalho do seu eleito, ou quererão argumentos para o despedirem com justa causa?

O dia é só reflexo da noite! Menos tenebroso, ainda assim reflexo.

Enfim...


domingo, 3 de julho de 2016

Viagem 175: Ide... fazer o caminho!

Olho para ele e nem acredito, são 12 anos que correram à velocidade da luz.

Hoje escala mais uma etapa. Está de férias e vai gozá-las como gente grande. Será uma semana que o mudará para sempre. E será fantástica.

Mochila às costas com tudo o que precisa para fazer o caminho. Tudo mesmo (pelo menos assim espero). É agora que começa o teste. Foram 12 anos a fazer a mala à espera de dias como este, à espera da oportunidade para confirmar que as ferramentas estão lá, que tem o mapa certo e que será capaz de usar tudo. 

Ele já dormiu fora outras vezes, mas nunca assim. Tudo será novidade e imprevisível. E será fantástico.

Hoje iniciou-se nos campos de férias! Foi com um amigo. (Ao final do dia já tinha não sei quantos)

Leva a minha mochila, literalmente minha! Perdi a conta ao número de kms que fiz tendo-a como companheira. Hoje passei-lha. Desejo-lhe no mínimo tantos momentos de felicidade como os que eu tive.

Ao vê-lo partir na minha cabeça ecoava: ide... fazer o caminho!



quarta-feira, 1 de junho de 2016

Viagem 174: Voando até ao 1º Ciclo

O tempo perde-se por entre a espuma dos dias e de repente esta mosquitinha está a preparar-se para o 1º Ciclo:


Ontem começou oficialmente este voo:
esteve na sala do 1º Ano e descobriu que as mesas lá têm uma prateleira por baixo para guardar os livros, ficou a saber como é que por lá se trabalha, ganhou uma madrinha, um diploma com um chupa e uma vontade quase incontrolável de lá ficar...


O dia terminou em grande com o jantar de finalistas! Como é que algo aparentemente tão simples (comer na escola, mas ao jantar e numa sala especial, sem sopa, com carne, arroz e batatas, com sumos de vários sabores e bolos de chocolate, sem pais, com os seus professores todos aprumados) pode ser tão marcante. E foi.


Ela tem o mundo à sua espera e será sublime!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Viagem 173: Não quero... obrigada

"Não quero" é expressão que se repete vezes sem conta, às vezes (poucas) traz um obrigada.

Passar pela experiência de pedir a outros, todos estranhos que ajudem desconhecidos na entrada de um supermercado é indiscritível!

Podia contar usando as maiores palavras do mundo quão gratificante é receber qualquer donativo. A mim causa-me borboletas no estomago, tenho momentos em que até me apetece retribuir com um abraço, ou dois, ou três. Sentir a generosidade alheia é de perder o folego.

Mas hoje, depois de mais uma experiência destas apetece-me dizer que as pessoas estão fora de prazo!

A indiferença, a ignorância, a agressividade, a soberba e o egoísmo tomam conta da humanidade (aquela que é formada por pessoas humanas como agora tanto se gosta de dizer). Ao serem convidadas a participar a maioria das pessoas diz que não quer, finge estar ao telefone porque não tem coragem de dizer que não quer, diz que não ajudará outros porque ninguém a ajuda a ela própria, que vai só passear não fazer compras, que não leva dinheiro consigo (recordo que todas estas pessoas entram num supermercado!) há até quem diga que vive no estrangeiro como se estivéssemos a falar de um serviço de entrega na sua própria casa. Há de tudo!

Como é se faz para que as pessoas percebam que para ajudar os outros basta a unidade. Uma coisa que somada a uma coisa e a outra e ainda mais a outra tem como resultado final um numero infinitamente grande. Como é que se faz para que as pessoas percebam que podem ajudar um outro que nunca viram, que não vai saber o seu nome praticamente sem darem por isso, basta a unidade. Tal como diz o proverbio chinês, um homem que move montanhas começa por carregar pequenas pedras.

Hoje, exausta mas de coração a transbordar afirmo convictamente que as pessoas estão fora de prazo! O que é uma pena...