segunda-feira, 4 de maio de 2015

Viagem 139: O rescaldo do fim de semana

Era um fim de semana de 3 dias que se previa quentinho, mas que não se concretizou assim.

Sexta feira começou com a noticia de uma partida e o fim de semana gelou. Partiu uma senhora em casa de quem durante muitos, muitos anos houve sempre lugar para mais um fosse quem fosse e a que horas fosse, numa mesa sempre farta que mentia bem as dificuldades. Na sua casa cabia toda a gente quer fosse por uma hora, por uma semana, um mês ou um ano, fazendo de um pequeno T2 a maior das mansões. Partiu um poço de bondade de quem os seus sentirão muita falta.

Sabado a vida continuava indiferente, interrompi a manhã para assistir ao fecho de mais um ciclo, e depois segui.

Muitas vezes me vem ao pensamento que ninguém sabe nada da vida de ninguém. Olhamos em volta e não se imagina o que realmente está a acontecer dentro de cada um.

Já ao cair do dia, aventurei-me num supermercado diferente do que costumo ir. Nunca mais lá volto. Se calhar é por inveja, mas nunca mais lá volto! Um supermercado onde as pessoas namoram enquanto fazem compras, nunca tinha encontrado. Pessoas que pesam fruta de mãos dadas, que se passeiam pelo corredor dos detergentes abraçadas, que se beijam enquanto esperam pela sua vez. Achei: está tudo doido.


Domingo foi dia da mãe, mais um. Juntaram-se para celebrar mães cujas mães já partiram, mães a viverem a plenitude da sua missão, mães a caminho de viverem a plenitude da sua missão e mulheres que não são mães.

Era um fim de semana que se previa quentinho, valeu o domingo o para salvar.

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