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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Viagem 54: Às Voltas

Hoje a boleia é para coisas novas, situações às quais nunca estivemos expostos. Hoje a boleia é para a prova de aferição de lingua portuguesa do 2º Ano.

A esta hora precisamente estará o Francisco às voltas com as perguntas...

Daqui a pouco estará às voltas com a escrita criativa...

A esta hora estou eu aqui às voltas a pensar que voltas estará ele a dar e a torcer para que dê a volta por cima ...

Daqui a pouco estarei aqui às voltas a pensar na escrita criativa e a confiar que ele vai usar as estratégias que combinámos. A ver vamos...  

É à boleia destas coisas novas que hoje vou andar às voltas...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Viagem 53: O milagre da multiplicação dos corações

Hoje a boleia é no minimo estranha... Como é possivel experimentar-se uma imensa felicidade e uma imensa angustia praticamente em simultaneo?

É oficial a Maria Catarina anda sozinha desde ontem, 16 de maio. Tanto que lhe disse que não tinha permissão para fazer estas coisas pela primeira vez e de modo consistente sem ser ao pé de mim mas não, a nossa história está feita de ousadias como esta da sua parte, começou logo com o dia escolhido para nascer: disse-lhe que só podia ser depois de 20 mas não, ela escolheu 11 e não foi do mês seguinte.

É com extrema felicidade que demoro minutos intermináveis a descer umas escadas que faria em metade do tempo porque ela insiste em fazê-lo sozinha. É com extrema felicidade que a vejo andar de um lado para o outro como que a treinar vezes e vezes sem conta. É com extrema felicidade que lhe mudo o pijama depois do jantar porque a miss insiste que só come sozinha.

Enfim, é com extrema felicidade que a vejo crescer...

É com uma angustia inexplicável que vejo o Francisco roxo, com a cabeça para trás. É com uma angustia inexplicável que o vejo com olhos de quem não vê e a babar-se incontrolavelmente.

É com uma angustia inexplicável que constato mais um curto-circuito.

É com uma angustia inexplicável que tenho que o amparar enquanto ele tenta titanicamente andar mas sem um pingo de forças para ter as pernas direitas...

É ou não é o milagre da multiplicação dos corações aquele que acontece sempre que conseguimos experimentar uma felicidade extrema pela conquista de um, ao mesmo tempo que experimentamos a mais inexplicável das angustias por outro?

Há boleias dificeis e esta é uma delas...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Viagem 47: Letras às Cambalhotas

Hoje, feriado nacional pelo menos enquanto a troika assim o permitir, foram as letras às cambalhotas que apanharam boleia.

A escrita criativa é um verdadeiro tormento aqui em casa mas, não é possivel fugir dela: instalou-se e só irá piorar por isso, foi preciso falzer alguma coisa. Já diz o ditado: se não os podes vencer, junta-te a eles. Foi o que fizemos!

Andámos uns dias a cozinhar a ideia e hoje oficialmente demos espaço às letras para andarem às cambalhotas...

A escrita criativa é um suplicio porque as letras insistem em andarem às cambalhotas dentro da cabeça.

As letras andam às cambalhotas e insistem em não se organizarem em palavras, e as palavras em frases e as frases em textos próprios de um sentir de 8 anos.

As palavras não conseguem passar daqui para aqui, diz o Francisco apontando para a sua cabeça e depois para o papel.

A partir de hoje isso vai mudar!

A partir de hoje as letras às cambalhotas, ganharam uma morada: http://letrasascambalhotas.blogspot.pt.

Conto com as visitas e comentários de todos, urge acabar com o suplicio que é a escrita criativa.

Desafio-vos a darem boleia a esta ideia!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Viagem 42: TPC

É oficial: a rotina voltou a apanhar boleia. Recomeçou a escola, recomeçou o toque do despertador às 6.30, recomeçou o estacionamento de lancheiras à porta de casa e voltaram os TPC's.

Sou cada vez mais anti-TPC.

ESCRITA CRIATIVA. O desafio de hoje foi esse. Depois de duas semanas em casa, o primeiro TPC depois das férias foi justamente escrever sobre elas.

Sou cada vez mais anti-TPC.

Demorámos hora e meia só para fazer o rascunho. Eu aprendi assim, primeiro fazemos o rascunho para corrigir, alterar, emendar e melhorar; depois, depois passamos na folha tudo bonitinho.

Sou cada vez mais anti-TPC.

Aqui só há um pequeno problema: ele é rapaz, essa coisa da estética não interessa nada, ele escreve a segurar a ponta solta do lápis porque afiar é trabalhoso. Ele apaga com os dedos como se fosse magia. Ele é rapaz!

Sou cada vez mais anti-TPC.

Bom, hora e meia depois do rascunho concluido, fizemos um intervalo para jantar. Findo o intervalo a tarefa foi passar a limpo, coisa para mais meia hora a brincar!

Sou cada vez mais anti-TPC.

Moral da história:
 - Estivemos desde que chegámos a casa até às 22 centrados na cena da escrita criativa. Eu sou criativa, e gosto de escrever, eu podia fazer o raio do trabalho mas não, tem que ser feito pela criança.
- Hoje, banho nem vê-lo.
- Hoje, a hota de deitar foi largamente ultrapassada.
- Hoje, parece que não saimos da escola e já não íamos lá hà duas semanas.

Sou cada vez mais anti-TPC.

Hoje, eu que já estava cansada fiquei exausta...

É à boleia de coisas assim que estou a pensar criar um movimento que acabe com os malfadados TPC's.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Viagem 39: O Estranho Caso da Casca de Banana

Eu: Francisco traz a casca da banana.
Francisco: a casca da banana?!?
Eu: Sim, a casca da banana que vieste a comer pelo caminho não vai ficar no carro, traz para pôr no lixo.
Francisco: Não sei dela.
Eu: Não sabes dela? É a casca de uma banana não é uma migalha.
Francisco: Não sei.
Eu (já irritada): Francisco, deitaste a casca pela janela?
Francisco: Posso dizer que não?
Eu: Se não a deitaste, podes.
Francisco: (silêncio) - Não.
Eu: Comeste-a?
Francisco: O quê?
Eu: Se ela desapareceu só pode ter acontecido uma de duas coisas: ou a deitaste fora pela janela ou a comeste. Se dizes que não deitaste pela janela, só podes tê-la comido.
Francisco: Ah... Sim, comi.
Eu: Toda?
Francisco: Todinha!

Palavras para quê, é o Francisco à boleia...

domingo, 4 de setembro de 2011

Viagem 20: Fora do ninho

Hoje quem apanhou boleia foi o Francisco que sem hesitar saiu do ninho.


A temática recorrente do Verão foi dormidas fora com saco cama e sem mãe nem pai, mas a nuvem dos curto-circuitos vinha perturbando a concretização de tal desejo.


O tio Alexandre antes de voar até aos States resolveu com a tia Andreia satisfazerem tal vontade. E por isso a esta hora, lá está ele a viver o seu desejo... e que contente que ele está!

É costume o antes ser mais vivido que o durante mas ao ver a sua felicidade através do skype diria que está a viver o durante com a mesma intensidade com que viveu a última semana, e que excitação!

Tanta felicidade deixa-me de coração cheio e muito, muito orgulhosa porque apesar dos pesares foi ele quem "tratou" de tudo: ele manifestou a sua vontade, os tios aceitaram o repto; ele falou com o pai e deu a resposta aos tios; no dia combinado pôs a sua mochila às costas com tudo o que achava  essencial e fez o caminho sem nunca, por um instante só hesitar. 

É a primeira vez que ele dorme fora de casa sozinho por escolha própria, há 5 anos ele dormiu uma semana em casa da avó Graça porque eu estava em conversações com a salmonela e ele não opinou nada, há quase 4 anos ele dormiu uma noite em casa da avó Noémia por causa da substituição da tampa do pai e ele não foi tido nem achado. Nenhuma dessas vezes conta.

Apanho boleia de toda a sua felicidade e assisto de camarote à sua conquista!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dia 12: E vão 3

Apanhei boleia há exactamente 1 mês!
O Francisco ficou hoje oficialmente desdentado novamente e pela terceira vez. A cria ficou verdadeiramente feliz, acredita estar a crescer!

Assistir de camarote a esse crescimento é uma boleia de emoções: é um privilégio mas um nó na garganta. Todos os marcos alcançados são degraus subidos rumo à autonomia que se deseja mas que se abomina.

Degrau 1: nascimento dos dentes; degrau 2: gatinhar / andar; degrau 3: largar as fraldas; degrau 4: comer sozinho e de tudo; degrau 5: vestir-se sozinho; degrau 6: entrar para a escola (a sério); degrau 7: ler e escrever ainda que de modo engasgado; degrau 8: queda dos dentes; etc.. 

A escadaria é enorme e eu sou o corrimão, o anti-derrapante e a luz de emergência. O Francisco é o primeiro a trilhar o caminho e este tem-se revelado sinuoso, não há mapa e isso tem dificultado as coisas. Não tem sido fácil mas ele é um lutador e não se dá por vencido com facilidade.

É à boleia desta subida que vos digo: ele está a crescer!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dia 11: 7 Anos

Hoje o Francisco faz 7 anos! 

É com uma emoção indiscritivel que apanhei boleia até ao dia 30 do mês de Março do fabuloso ano de 2004 e reencontrei este Francisco tão doce e vulnerável... (estava muito longe de imaginar como seria mirabolante a viagem que iniciávamos juntos)


Futebol é a sua obecessão
Resposta sempre pronta
Algarismos são a sua paixão
Nunca sabe das pantufas
Curto-circuitos desde os 6 meses
Inteligente
Sempre pronto para jogar play station
Contas são o seu relaxante
Orange" é a sua cor

Hoje minha "formiguinha" és assim:
Tens sido uma descoberta constante e é maravilhoso ver todas as conquistas que fazes! 

É à boleia de tudo o que já passámos que afirmo de modo confiante que tens sido o meu maior desafio!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dia 5: Será mesmo verdade...

Lá fora o turbilhão é enorme e contrasta com a tranquilidade que reina aqui dentro.

Os miúdos dormem tranquilos, à mercê, certos de que estão protegidos e indiferentes à crise, às politiquices  deste nosso país tão pequeno em mentalidade, às loucuras de um líbio que a troco de poder, dinheiro e petroleo mata indiscriminadamente.

Não é nova a sensação de os ter a dormir para mim. Habitualmente é à boleia dessa sensação que viajamos: eu à frente, eles atrás. Hoje estamos lado a lado e a sensação é sublime! É por isso que sempre que posso, os desafio para virmos para a "caminha" grande... senti-los a quebrarem pouco a pouco com os olhares fixos e sem pestanejar, as suas respirações cada vez mais profundas e ritmadas e com as suas mãozitas em mim é tudo o que poderia pedir.

Aqui dentro a tranquilidade é plena: não há vento, não se sente a humidade nem tão pouco se ouve o mar revolto. Aqui dentro está o meu mundo: eles tranquilos e vulneráveis e eu disposta a tudo para os manter assim. Não desejo nada mais...

É à boleia desta sensação que me pergunto se será mesmo verdade tudo o que se passa lá fora...