quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Viagem 22: Uma estrelinha da sorte

De manhã, enquanto andava no trânsito apanhei boleia do trânsito em si.

Então não é que os peões estavam todos possuidos por atitudes suicidas, e para a loucura ser total: possuidos por atitudes suicidas nas passadeiras com semaforos vermelhos para os peões! Revelou-se dificil atravessar a Amadora sem deitar nenhum peão abaixo. Prova superada com sucesso! Peões no chão:0.

Avançando os vários niveis do caminho até ao destino final, ocorreu-me que neste mesmo dia 7 de Setembro se comemora mais uma efeméride: há exactamente 15 anos a minha estrelinha da sorte mostrou estar muito, muito atenta.

Foi ela que me protegeu e permitiu sair de um brutal acidente de viação com apenas uma singela nódoa negra no cotovelo esquerdo e sem carro. É bem verdade que não tive culpa nenhuma: eu estava completamente parada, com o carro desligado e ainda assim voei mais de 500m. Quantos em circunstâncias semelhantes não têm muito azar? Quantos em circunstâncias semelhantes não têm a sua estrela da sorte ocupada com outras coisas?

A minha estrelinha tem mostrado estar sempre ao serviço, e tem sido forçada a mostrar serviço muitas vezes.

É à boleia de efemérides como esta que digo: Obrigada estrelinha da sorte!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Viagem 21: Mais uma vez: Devaneios

Hoje apanhei boleia na esperança de arrumar a minha cabecita, ou pelo menos na esperança de fazê-la correr mais devagar.

Volta e meia fico assim: muito agitada, tenho tanto para dizer, tanto para fazer, tanto em que pensar e tantos mas tantos pensamentos que tudo aqui dentro  anda aos trambolhões, escrever ajuda a pô-los na linha.

No meio de tanto devaneio, no meio de tantas ideias desordenadas a assaltarem o papel reparei que comemorei no passado Domingo, 4 de Setembro,  6 meses de boleias por aqui e já com 20 viagens feitas.

Tantas coisas aconteceram...

A todos os que têm acompanhado este trajecto, a todos os que têm sido passageiros frequentes nesta viagem, a todos os que apanharam boleia durante estes 6 meses: MUITO OBRIGADA!

Escrever é muito organizador e não deixa de ser reconfortante verificar que pessoas apanharam boleia mais de 1000 vezes, nunca pensei que o que me vai na alma interessasse tanta gente...

É à boleia de devaneios como este que espero por aqui andar daqui a 6 meses!

domingo, 4 de setembro de 2011

Viagem 20: Fora do ninho

Hoje quem apanhou boleia foi o Francisco que sem hesitar saiu do ninho.


A temática recorrente do Verão foi dormidas fora com saco cama e sem mãe nem pai, mas a nuvem dos curto-circuitos vinha perturbando a concretização de tal desejo.


O tio Alexandre antes de voar até aos States resolveu com a tia Andreia satisfazerem tal vontade. E por isso a esta hora, lá está ele a viver o seu desejo... e que contente que ele está!

É costume o antes ser mais vivido que o durante mas ao ver a sua felicidade através do skype diria que está a viver o durante com a mesma intensidade com que viveu a última semana, e que excitação!

Tanta felicidade deixa-me de coração cheio e muito, muito orgulhosa porque apesar dos pesares foi ele quem "tratou" de tudo: ele manifestou a sua vontade, os tios aceitaram o repto; ele falou com o pai e deu a resposta aos tios; no dia combinado pôs a sua mochila às costas com tudo o que achava  essencial e fez o caminho sem nunca, por um instante só hesitar. 

É a primeira vez que ele dorme fora de casa sozinho por escolha própria, há 5 anos ele dormiu uma semana em casa da avó Graça porque eu estava em conversações com a salmonela e ele não opinou nada, há quase 4 anos ele dormiu uma noite em casa da avó Noémia por causa da substituição da tampa do pai e ele não foi tido nem achado. Nenhuma dessas vezes conta.

Apanho boleia de toda a sua felicidade e assisto de camarote à sua conquista!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Viagem 19: Tudo a postos...

Hoje é o dia...




Hoje é o dia em que começas a enfrentar o mundo sozinha.
Hoje é o dia em que passarás a chamar tua à minha escola.
Hoje é o dia e está tudo a postos...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Viagem 18: 5 anos depois

Hoje apanhei boleia até ao dia 22 de Agosto de 2006.


Há exactamente 5 anos começava uma viagem que duraria pelo menos um mês. A 22 de Agosto, eu e o Francisco entre outras coisas, jantámos fora e clandestinamente trouxemos connosco uma "amiga" salmonela.

Lembro-me muitas vezes deste episódio.

A cada 22 de Agosto, noite em que tudo começou, revivo os momentos que me lembro (porque muito do que aconteceu eu não me lembro) com muita intensidade: os desmaios, a fraqueza, o estado de inconsciência/consciência, os rostos das pessoas que me visitaram e a quem eu não consegui falar mas que com a sua presença me faziam crer que o assunto devia ser sério, o barulho e as luzes dos cuidados intensivos, as vozes a pedirem colaboração, a minha incapacidade para corresponder, as picadas para encontrar veias a dada altura verdadeiramente impossiveis de captar, as fraldas, a algalia, as duas horas de manhã e à noite de medicação intravenosa ininterrupta, o chá como única refeição, a máscara de oxigénio, a ginástica respiratória de manhã e à tarde, o primeiro creme de cenoura do hospital, os doze infindaveis dias no hospital, as onze infindaveis noites no hospital, enfim...

A cada 22 de Agosto me pergunto porque é que fui poupada...

A cada 22 de Agosto fico especialmente pessimista ao contrário do que seria de esperar e de toda a sorte que tive.

A cada 22 de Agosto tento com muito mais força, dar sentido a tudo o que me rodeia.

Hoje, 22 de Agosto, 5 anos depois, não consigo pensar de forma diferente.

É à boleia de tudo isto que desejo ardentemente que no mês de Agosto os dias passem de 21 para 23.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Viagem 17: E eu não fui...

Ontem queria ter apanhado boleia mas não consegui fazer a viagem.

Eu queria tanto ter ido... A minha vontade era tal que nem fui capaz de lidar com todos os pensamentos maus que me invadiam.

Há mais de uma década em Junho, eu estive em Alvalade: cheguei de manhã com o almoço às costas, corri quanto pude (e eu não posso muito no que diz respeito a essa matéria) para ficar o mais à frente possivel; quando lá cheguei sentei-me e estiquei as pernas para ter mais espaço, como combinado. Aguentei estoicamente todo o dia sem nunca abandonar o meu lugar. E como valeu a pena...

Há três anos eu estive no Parque da Bela Vista, foi uma noite memorável manchada por um dos acontecimentos mais tristes...

Ontem, no Parque da Bela Vista, eu não apareci e isso deixou-me fora de mim. São estas sensações que confirmam que não fui feita para a vida que tenho.

Na Comercial, às nove e qualquer coisa consegui ouvir John Bon Jovi dizer Lisbon rase your hands! Estupidamente as lágrimas corriam-me e eu pensava bolas, bolas!!! É mesmo verdade, está a acontecer sem mim. Aqui estou eu preocupada com jantares, roupa lavada, chuchas e fraldas! Eu desejava coisas tão diferentes... 

Perdida nestes pensamentos infantis, encontrei a Maria Catarina a sorrir tão convictamente para mim que transformou todas as ridiculas lágrimas em estridentes gargalhadas, dançámos tanto ao som de bom rock! De repente dou por mim a lamentar que ela não se lembre destes momentos fenomenais...

Os Bon Jovi ganharam uma fã. Eu percebi que aqui era o meu lugar...

É à boleia de tudo isto que vou continuar, entre outras coisas a preocupar-me com jantares, roupas, chuchas e fraldas!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dia 16: Devaneios....

Passados mais de três meses, hoje voltei a apanhar boleia!

O relógio é implacável e não dá benesses... Quando dei por mim constatei que não usava as teclas desta tela desde Abril. E quanta coisa aconteceu, e quanta vontade eu tive de escrever mas, daqui a pouco será mais tranquilo... três meses depois e a tranquilidade não chegou a chegar!

Foi dia da mãe, foi dia de comemoração de oito anos de casamento, foi dia de voltar a trabalhar oficialmente, foi dia de curto-circuito, foi tempo de campanha eleitoral, foi dia de eleições, foi noite de afastamento de Sócrates,  foi dia de baptizado, foi dia da primeira papa, foi dia da tomada de posse do novo governo, foi dia da primeira sopa, foi dia de fim de ano lectivo, foi dia de curto-circuito, foi tarde de festa de final de ano, foi dia de mais um estranho casamento real, foi dia de inscrição da Maria Catarina na Creche.

Que estranho! Parte de mim anseia pelo dia 1 de Setembro, parte de mim deseja contrariar o movimento implacável do relógio e pará-lo agora mesmo até... até sempre.

Será estranho mas aliviante voltar a viver os dias sem preocupações colaterais, acho que vou respirar de alivio por não ter que me ocupar das fraldas, das comidas, dos choros, das chuchas perdidas, dos sonos contrariados e de mais isto e de mais aquilo. Ainda assim há sete meses e quase e meio que vivo em dualidade não sei se me lembro como é ser uma só...

Com tudo isto ganho uma certeza: não posso estar tanto tempo sem apanhar boleia!