quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dia 16: Devaneios....

Passados mais de três meses, hoje voltei a apanhar boleia!

O relógio é implacável e não dá benesses... Quando dei por mim constatei que não usava as teclas desta tela desde Abril. E quanta coisa aconteceu, e quanta vontade eu tive de escrever mas, daqui a pouco será mais tranquilo... três meses depois e a tranquilidade não chegou a chegar!

Foi dia da mãe, foi dia de comemoração de oito anos de casamento, foi dia de voltar a trabalhar oficialmente, foi dia de curto-circuito, foi tempo de campanha eleitoral, foi dia de eleições, foi noite de afastamento de Sócrates,  foi dia de baptizado, foi dia da primeira papa, foi dia da tomada de posse do novo governo, foi dia da primeira sopa, foi dia de fim de ano lectivo, foi dia de curto-circuito, foi tarde de festa de final de ano, foi dia de mais um estranho casamento real, foi dia de inscrição da Maria Catarina na Creche.

Que estranho! Parte de mim anseia pelo dia 1 de Setembro, parte de mim deseja contrariar o movimento implacável do relógio e pará-lo agora mesmo até... até sempre.

Será estranho mas aliviante voltar a viver os dias sem preocupações colaterais, acho que vou respirar de alivio por não ter que me ocupar das fraldas, das comidas, dos choros, das chuchas perdidas, dos sonos contrariados e de mais isto e de mais aquilo. Ainda assim há sete meses e quase e meio que vivo em dualidade não sei se me lembro como é ser uma só...

Com tudo isto ganho uma certeza: não posso estar tanto tempo sem apanhar boleia!

sábado, 16 de abril de 2011

Dia 15: Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr...

Hoje, Sábado durante o meu ritual habitual da manhã: umas belas torradas de pão de quilo, um chá com sabor a morango, a televisão na FOX/FOX LIFE e o computador a navegar a todo o vapor pelas principais noticias do país e do mundo, apanhei boleia da indignação que me invade sobre o estado do nosso país. não resisti, no facebook tornei-me "amiga" do PSD e escrevi o seguinte no seu mural:

«Já se interrogaram porque é que as sondagens nos mantêm tão perto do PS?

Onde tinham os senhores a cabeça quando escolheram os cabeça de lista para as próximas eleições legislativas? Caso ainda não tenham percebido e cada vez estou mais convencida que não perceberam, vivemos uma situação muito mas mesmo muito complicada. Não íam procurar os melhores, os mais capazes? Quer dizer, isso era o que deviam fazer, ao invés fizeram como de costume, trataram do vosso quintalinho... Onde foram parar os critérios de exigência e competência? O Dr. Fernando Nobre como cabeça de lista em Lisboa?!? Eu sou social-democrata que ainda por cima vota pelo ciclo de Lisboa, expliquem-me como posso votar numa lista encabeçada pelo Dr. Fernando Nobre, anti-partidário convicto em Janeiro e completamente rendido a tachos em Abril? Não existe defesa nem explicação possivel, ele afirma que não conhece o programa eleitoral, assinou de cruz. Ele adverte que renunciará se não fôr presidente da AR, mas o que é isto?

O Dr. Fernando Nobre conhece alguma coisa sobre o PSD que não pode ser público? Somos um partido assim com tão pouca auto-confiança que achamos que temos que ficar associados a personagens avidas de protagonismo para conseguirmos votos? Honestamente, qual pode ser o contributo desta pessoa para que o partido potencialize uma verdadeira mudança para o país? Estamos exactamente na mesma: os cidadãos a sentirem as medidas no seu quotidiano e os politicos num mundo completamente à parte preocupados com questões menores, mesmo muito menores: quem tem culpa da crise, como foi avisado o lider da oposição sobre o PEC, quem mandou e recebeu sms's, etc.

Concluo com enorme pesar que mais uma vez estamos a prestar um óptimo serviço ao PS, na noite de 5 de Junho depois de lhes darmos os parabéns pela sua vitória vamos falar também sobre a nossa vitória: é o costume em noite eleitoral todos os partidos ganham. Sabem é que se é para continuar a ser mau (e os Srs. não tenham dúvidas que o caminho que estão a fazer é péssimo e não trará resultados) os eleitores preferem optar pelo que já conhecem... é uma questão de familiariedade!»

Fiquei mais aliviada! Tenho a certeza de que eles não vão ler e de que eu irei votar em branco...

Ainda assim, acho fundamental continuar a dar boleia à indignação!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Dia 14: 5,300Kg / 62cm



Esta é a fotografia oficial dos seus estrondosos 4 meses.

Com 5,300Kg de peso e 62cm de comprimento, a Maria Catarina está uma miss (com crista é certo) que adora esplanadas solarengas!!! Não deixará nunca de ser a minha mosquitinha de tão pequenina que era quando a conheci há exactamente 4 meses e 1 dia.

Não sei como, a apreensão apanhou boleia para ficar. Está a aproximar-se a passos largos aquele timing: faltam exactamente 2 meses, 2 semanas e 6 dias para atingir os 6 meses e 3 semanas...

Até há 3 semanas não dava boleia a pensamentos destes mas agora confesso: estou apavorada!

Eu sei! Já toda a gente me disse que não posso pensar nisso. Já toda a gente me disse que os miudos são todos diferentes. Já toda a gente me disse que por ter acontecido a um não tem que acontecer ao outro. Já toda a gente me disse que não se pode pensar nisso assim.

Eu digo a toda a gente que só diz coisas destas quem nunca passou por um aperto. A intenção é das melhores, eu sei. Mas mostra como nem sempre se sabe do que se está a falar...

Lido com convulsões daqui a pouco hà 7 anos, já assisti a tantas que lhes perdi o conto, não são elas que me afligem, já me afligiram. Agora eu vejo as horas, controlo a sua duração, decido se aplico medicação de emergência, etc. e tal.

O que me aflige é ver um filho naquele estado, o que me aflige é sempre que uma convulsão termina pôr-lhe a mão no peito para sentir o seu coração a bater, o que me aflige é não conseguir andar sem telemóvel quando ele não está comigo, o que me aflige é saber que nunca, mas mesmo nunca me posso esquecer das aflições, o que me aflige é sempre que ele está mais sossegado eu ter que o chamar para saber se está tudo bem, o que me aflige é saber que ele se pode magoar, o que me aflige é pensar como é que os outros vão reagir quando o veêm em curto-circuito, o que me aflige é que sempre que o vou ver enquanto dorme, não vou ver se está tapado, eu vou ver se está vivo!

E agora já não é nada...

É à boleia de todas estas aflições que não sei se consigo passar por tudo outra vez! 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Dia 13: Uma casa de pedra

Hoje, ou melhor ontem, Domingo apanhei boleia do sol até à praia com as crias. Este Abril já conheceu dias mais convidativos à contemplação do sol mas não se estava mal...
O primogénito correu, correu, correu até mais não na praia atrás da bola com o pai. Eu e a miss ficámos na esplanada: ela a dormir eu a ler o meu expresso cor de rosa. É curioso como consigo coisas da segunda vez que da primeira pareciam absolutamente inatingiveis. Aos 4 meses do Francisco eu não conseguia fazer nada. E não, não era culpa dele. Ele era um paz de alma... Eu é que não tinha prática!
Perdido o jogo da bola voltámos a apanhar boleia em busca de caracóis. Eu pensava que hoje em dia os caracóis eram como a fruta: não tinham época. Enganei-me ainda não é tempo deles mas, o tempo começa a ficar bom, a esplanada convida e eu achava que havia pratos de caracóis para coroar o fim do fim de semana, embora para mim seja sempre Sábado.

No caminho, entre casas médias, pequenas e grandes dei comigo a pensar que gostava de ter uma casa de pedra. Uma casa forrada integralmente a pedra. E depois constatei que construí uma casa de palha. Hoje vivo numa casa de palha que não sei como, resistiu ao temporal do Inverno.

Sem bussola nem mapa, não encontro o Norte. O aperto na barriga é tal que chega a ser arrepiante. O peso no peito é tal que chega a ser insuportável. O nó na garganta é tal que impede as lágrimas de sairem. Os ses atropelam-se em catadupa.
É à boleia destas aensações que só me apetece soprar a casa...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dia 12: E vão 3

Apanhei boleia há exactamente 1 mês!
O Francisco ficou hoje oficialmente desdentado novamente e pela terceira vez. A cria ficou verdadeiramente feliz, acredita estar a crescer!

Assistir de camarote a esse crescimento é uma boleia de emoções: é um privilégio mas um nó na garganta. Todos os marcos alcançados são degraus subidos rumo à autonomia que se deseja mas que se abomina.

Degrau 1: nascimento dos dentes; degrau 2: gatinhar / andar; degrau 3: largar as fraldas; degrau 4: comer sozinho e de tudo; degrau 5: vestir-se sozinho; degrau 6: entrar para a escola (a sério); degrau 7: ler e escrever ainda que de modo engasgado; degrau 8: queda dos dentes; etc.. 

A escadaria é enorme e eu sou o corrimão, o anti-derrapante e a luz de emergência. O Francisco é o primeiro a trilhar o caminho e este tem-se revelado sinuoso, não há mapa e isso tem dificultado as coisas. Não tem sido fácil mas ele é um lutador e não se dá por vencido com facilidade.

É à boleia desta subida que vos digo: ele está a crescer!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dia 11: 7 Anos

Hoje o Francisco faz 7 anos! 

É com uma emoção indiscritivel que apanhei boleia até ao dia 30 do mês de Março do fabuloso ano de 2004 e reencontrei este Francisco tão doce e vulnerável... (estava muito longe de imaginar como seria mirabolante a viagem que iniciávamos juntos)


Futebol é a sua obecessão
Resposta sempre pronta
Algarismos são a sua paixão
Nunca sabe das pantufas
Curto-circuitos desde os 6 meses
Inteligente
Sempre pronto para jogar play station
Contas são o seu relaxante
Orange" é a sua cor

Hoje minha "formiguinha" és assim:
Tens sido uma descoberta constante e é maravilhoso ver todas as conquistas que fazes! 

É à boleia de tudo o que já passámos que afirmo de modo confiante que tens sido o meu maior desafio!

sábado, 26 de março de 2011

Dia 10: O timing do tombo

É Sábado de manhã!

Apanho boleia na minha rotina semanal de Sábado: umas belas torradas de pão de quilo, um chá com sabor a morango, a televisão na FOX/FOX LIFE e o computador a navegar a todo o vapor pelas principais noticias do país e do mundo.  


A nota é comum: chegou o turbilhão à politica nacional. É um facto: apanharam todos boleia do mesmo! E até parece que não têm vivido neste rectângulo simpático com vista de mar.

Convém no entanto dizer que a crise politica já cá andava e há muito, só que agora o primeiro voltou a dar cartas como animal politico que é e isto é muito importante não perder de vista. Este é o seu timing!

Vamos a eleições agora porque o ministro chefe assim o quer. Todos os outros se preparavam para o acontecimento no ano, essa era a sua estratégia. É nestas pequenas grandes subtilezas que se destinguem os grandes jogadores dos amadores e neste particular há que dizê-lo com toda a frontalidade ele foi um grande jogador.

O Primeiro Ministro quer eleições agora porque conta ser re-eleito secretário geral do seu partido este fim de semana (nem se ouviu falar dos outros candidatos), porque teremos que ser resgatados nas próximas semanas e ele não tem estrutura de personalidade que consiga suportar tal frustração, porque os outros partidos ainda não estavam preparados, porque os partidos da direita estão desejosos de subir ao poder e iriam revelar uma atitude irracional como aconteceu, porque ficou danado com o discurso de tomada de posse do Presidente da Republica, porque a contestação social iria aumentar e isso desgastava-o muito, porque nós portugueses revemo-nos muito na história do patinho feio e ele já a começou a contá-la e nós já nos começamos a comover.

Como é possível confiarmos nos políticos quando muitos deles nunca foram mais nada senão políticos? Como é possível confiarmos nos políticos quando o interesse nacional não os move? Como é possível confiarmos nos políticos quando numa mesma frase conseguem dizer tudo e o seu contrário?

Preocupa-me que vivamos exclusivamente para o aqui e agora sem nenhum projecto de futuro e sempre a valorizar o acessório!

É à boleia de tudo isto que penso que é urgente nos inquietarmos!