segunda-feira, 19 de maio de 2014

Viagem 125: Francisquices - Imperdível

«É uma casa tão linda
Que ternura quando a vejo!
Lembra-me o senhor Joaquim
Meu amigo do Alentejo

Carpinteiro tão velhinho
A trabalhar a madeira:
Eu olhava-o encantada
Sentadinha à sua beira.

Conheci-o quando fui
Para o Alentejo ensinar.
Professora de meninos
Meninos do meu amar.

Um dia o visitei,
Confessei-lhe, quase a medo:
Eu tenho um cão pequenino,
Um cãozinho de brinquedo.

Senhor Joaquim, tenho um cão
Que me deram os meus amigos,
Quando parti de Lisboa
Para sempre o ter comigo.

É cãozinho de brinquedo,
Um tesouro de amizade:
É um cão que não tem vida
Mas diz-me tanta verdade!

O senhor Joaquim olhou-me
Com seus olhos cheios de vida:
- Vou fazer-lhe uma casinha,
Uma perfeição florida...

E uma perfeição florida
Foi feita por suas mãos,
Mãos ásperas de pobreza
Tão doces de perfeição.

Eis a história da casinha
Feita pelo senhor Joaquim:
Tenho amigos e saudade,
Não tenham pena de mim!»
Matilde Rosa Araújo
Pergunta de interpretação feita:
Na tua opinião, por que motivo foi «quase a medo» (verso 14) que a autora confessou ao senhor Joaquim que tinha um cãozinho?

Resposta do Francisco:
Eu acho que ela tinha medo que o cão o mordesse.

Realmente... o que mais haveria de ser!

Viagem 124: Venham eles!

Chegados que estamos à semana mais guardada pelo 4ºAno, afirmamos convictos: venham eles!

Começamos pelo português. Faremos o possível na esperança de que a interpretação não seja muito subtil e que a composição seja uma narrativa o mais colada à realidade possível, o tempo não está para grandes imaginações!

A nossa arma secreta está reservada para 4ªfeira: matemática, aí vamos arrasar!

Certo é que ele se vai superar. O raça do rapaz na hora H, quando é mesmo mas mesmo preciso, mostra a sua fibra. É sempre assim.

Já eu estarei cheia de borboletas por dentro.

sábado, 17 de maio de 2014

Viagem 123: Finalmente... VITÓRIA!!!

Volta e meia há jogo ao fim de semana. É o preço a pagar por ser de uma escola de futebol.
Os jogos começaram há meses e desde então o melhor que conseguíamos eram empates (acho mesmo que só empatamos uma vez!). Foram derrotas umas depois das outras.
Hoje foi diferente... Hoje jogámos fora. Hoje ganhámos!! 1-3. Foi delicioso!
E pensar eu que achava que hoje seria mais prudente não ir para aproveitar a tarde também para estudar, afinal há exames durante a semana.
A alegria dos miúdos foi indiscritível. Um deles dizia mesmo que deviam ir ao Marquês celebrar!!!
Claro que na espuma de tudo isto, encontro uma ou outra Francisquice:
- na preparação da marcação de um canto diz o Francisco para o adversário que o estava a marcar: Ó Meu podias deixar-me sem marcação, tá bem?
- já no caminho para o carro: tinhas razão mãe! Bem dizias que não haveria vitórias sem mim!!
Não fomos ao Marquês mas, celebramos a vitória abrindo oficialmente a época do caracol.

domingo, 11 de maio de 2014

Viagem 122: um flop de fim de semana ou nem tanto

Tinha grandes expectativas para este fim de semana. Ou então eram só confabulações!
Já devia saber que para mim não estão reservadas grandes coisas. E assim correu o serão de sexta.
Sábado começou torto, tortíssimo. Tão torto que até os miúdos tiveram direito a escolher uma coisa cada para eles na casa dos brinquedos (é o nome que dão à toy'rus). De tarde o filme "Uma história de Encantar" (acho que é assim que se chama) relembrou-me que acredito em contos de fadas (ou não fosse o principe, o Dr McDreamy da Anatomia de Grey).
Domingo acordou soalheiro. Tinha um compromisso de trabalho durante a tarde. Por aquele trabalho não estamos habituados a que nos deem nada, por isso quando alguém está disposto a "dançar para nos ajudar" eu fico sem palavras, tal é a surpresa.
O espetáculo foi muito bom. As miúdas dançam com alma, com paixão e acima de tudo divertidas. Duas bolas de gelado ao fim da tarde em Cascais, foi a cereja no topo do bolo.
Um fim de semana que contra todas as minhas expectativas estava prestes a ser um flop, foi salvo no meio de tutus e sapatilhas com e sem pontas (por momentos tive tantas, mas tantas saudades das minhas sapatilhas...)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Viagem 121: Comemorações de mãe - entre a expectativa e o pânico

As escolas dos miúdos prologam as comemorações de mães para dentro da segunda feira.

Com o Francisco era a expectativa total: escola nova, não conhecia os hábitos, enfim, íamos à descoberta. E lá fomos, pouco antes das 9 para um pequeno almoço tão aconchegante que nem sei: pão quentinho, quentinho acabadinho de fazer, sumo de laranja e um café. Os miúdos lambuzaram-se nas coisas com chocolate, apreciamos como ficam os corações de mãe e fomos brindadas com túlipas (a minha flor!). Tudo se conjugava para superar as expectativas.

O postal desconcerta-me: estou altamente favorecida com 2 totós (um de cada lado) na cabeça e a mensagem para abrir é: por favor perdoa-me | És perfeita (esforço-me sobrehumanamente para manter a compostura...) dentro diz:
«Querida mãe,
Com o teu nome vou dizer-te o que eu penso sobre ti.
Eu acho que és:
Justa
Ocupada
Amorosa
Namoradeira
Amiga

És forte
melhor do que ninguém
ninguém vai conseguir alterar
a tua maneira de ser minha mãe.
Beijinhos do teu filho Francisco»

Depois disto preciso mesmo de sair dali, estou quase, quase a desmontar-me como as gelatinas que não solidificam. Despedimo-nos.
No carro,  o rádio toca a minha banda - BONJOVI com a música Thank You For loving Me. Pronto. Não me contive mais. Lavei a alma. Recompus-me.



Á tarde é a vez dela brilhar. Estremeço. E se as "nossas" pulseiras não se vendem... Logo ali tomo a decisão: compro-as eu. Não vou correr o risco.
Eram só dez da manhã e o meu coração já tinha andado nesta montanha russa entre a expectativa e o pânico.

domingo, 4 de maio de 2014

Viagem 120: Dia da Mãe... mais um

Celebro este dia na condição de mãe há 10 anos e na condição de mães há 4. Porque muitas vezes penso: eu não sou mãe, eu sou mães! Sou mãe só do Francisco (1 para a contagem); sou mãe só da Miss (2 para a contagem) e sou mãe dos dois ao mesmo tempo (3 para a contagem). E é tão engraçado! Não engraçado de fazer rir, antes engraçado pela descoberta que tem sido e acredito continuará a ser. Muitas vezes compensador, quando se vislumbra o produto final.
Hoje, o Francisco levantou-se, concluiu os trabalhos de casa por iniciativa própria, prontificou-se a estender a roupa por mim, marcou a apanha da roupa para ele, tratou do leite da irmã, fez o seu pequeno almoço, magoou-se ligeiramente no micro-ondas, a Miss acorreu a dar-lhe um beijinho no dedo lesionado ( a vozinha dela a dizer-lhe: "deixa-me dar-te um beijinho", dá cabo de mim) e eu assisti a tudo, feliz.
Na maior parte do tempo é o completo caos exterior (e interior também!): a casa é invadida por brinquedos; os moveis com partes (pequenas mas ainda assim, partes) meladas; a roupa nunca está em dia e multiplica-se por todo o lado; há sempre migalhas no tapete; há sempre loiça para lavar no lava loiças; a minha papelada de trabalho é muitas vezes personalizada com obras de arte verdadeiramente únicas; a porta da casa de banho da mãe fechada nunca quer dizer não entrar, enfim... mas é bom. Porque é legado, é parte de nós que continua.
Gostava de ter sido mais mães. Já me resignei...



quinta-feira, 1 de maio de 2014

Viagem 119: É que já não há paciência!

Saiu finalmente o tão falado DEO. Agora, politico que é governante ou aspirante a tal, fala preferencialmente por siglas. Até o cabelo da ministra estava em pé (e falo literalmente indomável). Compreende-se. É que já não há paciência!

Primeiro talvez seja preciso continuar a cortar; depois o melhor é taxar o açúcar, o sal e sei lá mais o quê; depois ainda não é nada disto; mais tarde, o que quer que se venha a fazer não implicará subir impostos; por último deita-se cá para fora umas coisas sobre começar a aliviar a carga fiscal, enfim. Não raras vezes, parecem-me miúdos a brincar aos governos.

Quando não há mais possibilidade de adiamento, anuncia-se uma fórmula nunca antes vista: aumentar impostos!

Como é que não há ninguém que diga as estas pessoazinhas que gente sem palavra não comanda nada, muito menos uma nação. Gente sem palavra nem ignorado merece ser.

Gentinha como esta, sem palavra merece desprezo!